quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O Ginete

O GINETE
Fidalgo era um belo puro sangue árabe, negro, alto, um nobre animal que o Capitão Gabriel recebera como presente do pai quando completara dezoito anos e ainda era um jovem estudante na escola militar.
Gabriel, apesar de ter ordenanças preferia ele mesmo lavar, escovar e alimentá-lo. Os dois se entendiam perfeitamente, parecia haver um entendimento telepático entre ambos. Com o tempo esse relacionamento foi se tornando cada vez mais perfeito, e o conjunto cavaleiro/animal tornou­-se quase que um só ser. Era patente em algumas situações o animal se antecipar ao comando das rédeas e agir de acordo com a ordem ainda mal formulada na mente do capitão, deixando-o não raras vezes até espantado. O animal era verdadeiramente um colosso.
Fidalgo era o orgulho do jovem capitão, e ele Fidalgo dava mostras também de se "sentir" orgulhoso do seu cavaleiro.
Nos desfiles, mantinha a cabeça erguida e seus passos eram precisos e elegantes.
Lamentavelmente veio um dia a guerra, cruel e implacável. Um país vizinho, na ânsia de ampliar suas fronteiras invadiu o território do jovem capitão.
Todos são convocados para a defesa da pátria. O capitão embora tivesse na tropa um outro animal, foi obrigado a levar seu valoroso Fidalgo, que de disputa s6 conhecia as raias dos concursos hípicos em que era inconteste campeão. Era um animal nobre, infelizmente tinha também que atender às necessidades de defesa do país, assim, cavalo e cavaleiro foram para os campos de batalha.
A guerra era violenta e cruel, como o são todas. O inimigo mais numeroso e mais bem adestrado
avançava impiedosamente sobre o país. Os invasores das terras de nossos heróis; orgulhosos e violentos, saqueavam tudo; matavam os homens, violentavam as mulheres e se apossavam do que podiam, desrespeitando as normas bélicas internacionais de respeito à dignidade humana.
Numa das batalhas o jovem capitão foi ferido; um oficial de alta patente do exército inimigo reconheceu em Fidalgo um campeão de sua raça e de imediato apossou-se dele. Segurou-o pelas rédeas e tentou inutilmente montá-lo. Por fim chamou dois subordinados e lhes ordenou que segurassem o animal para poder cavalgá-lo; os ordenanças seguraram-no e o oficial montou-o, ordenando em seguida que lhe soltassem as rédeas; o animal tomou-as nos dentes e num desabalado galope saiu pela pradaria afora indiferente aos açoites e esporas do oficial.
A correria durou algum tempo, o oficial gritava, esbravejava, açoitava, e esporeava-o impiedosamente; tentava frear aquele galope desembestado.
O animal espumava pela boca e o sangue lhe escorria dos cortes causados pelas esporas.
Por fim o animal jogou-se de um desfiladeiro no fim da pradaria, carregando consigo, para a morte, o oficial inimigo.

FIM

sábado, 18 de outubro de 2008

FITA VERDE NO CABELO

INSPIRADO NO TEXTO FITA VERDE NO CABELO DE GUIMARÃES ROSA


_ Sua bênção, manhê?
_Deus te abençoe filhinha, durma bem, sonhe com os anjinhos do céu.
Nininha caiu num sono profundo e...

Vou passear na floresta
Enquanto seu lobo não vem.
No braço um cesto e um pote
Pra vovó que me quer bem

No pote um docinho gostoso
O cesto vazio está
Vai voltar com fambroesas
Se no caminho encontrar

Esse caminho longo e louco
Que resolvi caminhar
Melhor que o curtoso
Tem coisas pra´dmirar

Avelãs pelo chão espalhadas
Borboletas azuis a voejar
Anões e fadinhas trabalhando
E lenhadores a lenhar


Do lobo mau nem sinal
Moinho de vento a rodar
Minha fita verde no cabelo
Começa a se desmanchar

Sobejamente as flores
No caminho a perfumar
Abelhas e borboletas
Vêm nelas pousar

Toque, toque, toque
Vovó posso entrar?
Entre netinha linda
Estava a te esperar

Vozinha que braços magros
Já não posso te abraçar
Vozinha que lábios roxos
Já não te posso beijar

Vozinha que olhos fundos
Já não te posso olhar
Vozinha fale comigo
A vozinha morta está.

_Manhê, manhê, acorda Nininha assustada.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

CHAPEUZINHO DE PALHA

CHAPÉUZINHO DE PALHA


_ Filhinho, o pacote que está em cima da mesa é dos remédios de seu avô, não esqueça de levá-lo, mas não demore muito,
_Está bem, manhê, eu vou correndo.
Chapeuzinho de Palha era um garoto muito esperto e corajoso para seus onze anos: robusto, cabelos castanhos, os olhinhos vivos., o xodó de seus pais.
Distraído jogando bola com os amiguinhos, quando se lembrou dos remédios do avô à tarde já ia avançada.
Patacoá era um vilarejo no interior de uma grande capital; seus habitantes eram pessoas simples, pacíficas, religiosas, mas sofriam de um grande desgosto; é que por aquele tempo um lobisomem, todo o período da Lua Nova, espalhava o terror pela região. Homens, mulheres, jovens quem quer que se aventurasse a atravessar a floresta após o cair da tarde estava sujeito a cair nas garras do feroz personagem..
Chapeuzinho de Palha, sem tomar conhecimento do perigo, pegou o pacote de remédios e saiu correndo para cumprir sua tarefa, tomando o atalho que o levaria a casa do avô.
_ Chapeuzinho de Palha, Chapéuzinhjo de Palha, aonde vai com tanta pressa? Perguntou Militão, um velho conhecido do povoado; era pessoa de bem.
_ Vou levar os remédios do vô.
_ Porque vai por esse atalho tão perigoso, não sabe que hoje é dia do lobisomem? Vá pelo caminho normal que é mais seguro, embora um pouco mais longo. Vai encontrar muitas coisas bonitas: aves, coelhinhos, sagüis; é bem melhor..
Chapeuzinho desviou-se e passou a seguir pelo caminho indicado. Andou, andou, apressadamente, e ao meio do caminho a figura horrenda do lobisomem saltou à sua frente; assustado deu um pulo para traz, tirou do pescoço a cruz de prata que trazia pendurada e apontou-a para o bicho. Com um urro terrível o animal sumiu no meio do mato.
O coração ainda aos pulos Chapeuzinho continuou, quase a correr, seu caminho, ainda segurando a cruz na mão.
Chega por fim cansado, ofegante à casa do avô.
_ Vovô, vovô, o senhor está aí? Pergunta o garoto batendo na porta.
_ Entre Chapeuzinho, entre.
O garoto entra e se depara com uma cena horripilante: o lobisomem caído ao chão, todo ensangüentado, morto e o velho avô com um facão enorme na mão.
_ Ó vovô que aconteceu?
_ Aconteceu Chapeuzinho que esse lobisomem nunca mais vai assustar nosso povoado.
_ Vovô esse não é o Militão?
_ Era, Chapeuzinho, era, esse cidadão de aparência tão bondosa na realidade era o bicho que aterrorizava todo o povoado.
_ Puxa vida!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O FILHO ESPREZADO

ABEL – O FILHO DESPREZADO
EDUARDO P. F. NETTO

Braz, estou grávida.
O que é isso mulher, você não para de ter filhos? Até parece “devota de São Bento, é um filho fora e outro dentro”.
Você também não me deixa dormir em paz. Vira pra lá,vira pra cá e vapt-vupt.
Porquê não toma pílulas para evitar?
Remédio custa dinheiro e você nunca me dá algum. Sempre que peço você reclama.
Han, han, você gosta mesmo é de engravidar, isso é que è; gosta mesmo é de se ver como tivesse com uma melancia na barriga.
É, mais dessa vez eu não queria mesmo.
Procure aquela D. Severina Parteira peça para ela um remédio para abortar.
Isso é pecado Braz.
Então deixa vir, será mais um par de braços forte para a lavoura.
Vou pensar.
Tá bem.
Elsa era uma cabocla forte, bonita, os cabelos e olhos negros, uma boca bem alinhada, cintura acentuada, mulher para homem nenhum botar defeito. O marido era também um caboclo forte, os cabelos crespos, a testa alta, os olhos castanhos, a pela morena curtida pelo sol do nordeste; mesmo antes de casar sentia uma forte atração por Elsa, com o casamento deu-se a explosão de seus desejos e já com mais de vinte anos de casados esse desejo não arrefecera.
Vinha entrando de porta a dentro à casa do Braz, quando ouvi o casal conversando. Parei e fiquei a escutar para não interrompê-los. Por fim ao entrar à sala:
Jurandir, meu amigo, preciso de seus conselhos.
O que houve desta vez, Elsa?
Engravidei mais uma vez e não quero esse filho. Já tomei vários remédios que a parteira fez para abortá-lo, mas agora não fez efeito.
Porquê você me pede conselhos se não vai segui-lo? Você sabe que sou contrário a esse tipo de coisa. Filho é dádiva de Deus, se você renega essa dádiva o que pode esperar dessa vida?
Elsa, emburrada tratou de mudar o rumo da conversa.
Três meses após essa conversa nasceu Abel com a cabeça e as pernas atrofiadas, o casal veio me procurar. com o bebê nos braços. Era uma figura muita feia. Fiquei penalizado.
Que é que faço com isso, você diz que filho é dádiva de Deus isso lá é dádiva de Deus?
Minha amiga, não esqueça que você fez o que pôde para abortá-lo, os remédios que tomou com certeza provocaram o que você chama de isso. Agora é tratar de carregar essa cruz e cuidar muito bem dela.
Você tá doido Jura, você acha mesmo que vou carregar esse fardo?
E o que você vai fazer?
Se não conseguir quem fique com ele, vou colocá-lo numa caixa e jogá-lo no rio; quem sabe alguém poderá encontrá-lo?
Minha amiga, isso é terrível. Você vai se enterrando cada vez mais na iniqüidade, não faça uma coisa dessa. Você plantou uma má semente, terá que colher seus frutos, é a lei de Deus.
Lei de Deus ou não preciso me desfazer deste fruto..
Não faça nada por enquanto, vou ver se consigo alguma alma caridosa que possa ficar com ele..
Meus amigos saíram um tanto decepcionados com o que lhes falei.
Lembrei-me que Elsa tinha uma irmã rica e solteira em São Paulo,
Amália, a irmã, trabalha ou trabalhava como voluntária em algumas entidades filantrópicas. Liguei para ela, ficou de vir até nós para conhecer o Abel.
Uma semana após ela surgiu de surpresa em minha casa.
Então Jura vamos lá ver nosso bebê?
Fomos à casa de nossos amigos, não os encontramos, àquela hora estavam
todos na lavoura. Entramos, jogado num canto, peladinho, coberto apenas um com trapo velho lá estava. Abel, magrinho, a cabeça descomunal, agitou os bracinhos e a cabeça ao nos ver. Amália, lágrimas a lhe escorrer pela face, apanhou-o compadecida, enrolou-o numa toalha, colocou-o num sofá e foi preparar um banho. Estava todo sujo de cocô. Deu-lhe o banho, procurou sem sucesso alguma roupa. Tirou dinheiro da bolsa e pediu-me para ir comprar fraldas, roupas, artigos de higiene e um carrinho de bebê.Ao voltar encontrei-a numa cadeira de balanço cantando uma cantiga de ninar com Abel no colo.
Dezoito horas, o sol cansado de sua milenar trajetória diária deitava-se além do horizonte. Espalhava sua cabeleira pintando com suas cores as nuvens passageiras. Pasmado, da varanda da casa olhava aquele espetáculo de rara beleza.
Meus amigos voltavam da lavoura, ao me verem apressaram os passos. Os filhos se espalharam pelos fundos da casa.
Ó, até que enfim você apareceu reclamou Elsa.
O que te traz aqui, Jura? Perguntou Braz.
Tenho uma surpresa para vocês, vamos entrar,
Na sala Amália ninava o bebê todo vestidinho e perfumado;num lado numa pequena mesa a mamadeira vazia no outro um carrinho de bebê com alguns bibelôs..
Surpreso o casal cumprimentou alegremente a visitante. Evitaram falar sobre o bebê.
Três dias após com os documentos legais de adoção Amália voltou com ele para São Paulo
Quinze anos se passaram. Abel, graças ao empenho e amor da tia superara um tanto suas deficiência, era um excelente aluno e exímio violinista. Cnco anos de prática com o instrumento sob a direção de famoso professor tornou-se um violinista de renome. Viajava constantemente dando consertos por todo o mundo. Estava rico. A mãe adotiva o acompanhava.
Dez anos se passaram, um dia Amália recebe uma carta desesperada.
Amália, estamos arruinados e doentes, os filhos todos não suportando as privações debandaram. Nem sei por onde andam. Por favor, nos ajude.
Filho leia esta carta.
Abel lê a carta.
De quem é?
Amália passa a lhe contar quem é Braz, o signatário da carta.
Ó mãe porquê não me contou isso antes?
Tive medo de suas reações, afinal eles lhe desprezaram impiedosamente; mas numa tal situação acho que devemos perdoa-los.
Vamos lá mãe, quero conhecer a abraçar minha verdadeira mãe e meu pai, mas não precisa ter qualquer tipo de receio a senhora será a mãe a quem sempre amarei.
No dia seguinte à chegada dos dois fomos à fazenda dos amigos. Era uma desolação. A casa antes tão bonita parecia abandonada. A lavoura e o rio secos. Uma desolação total. O encontro de Abel com seus pais foi comovente. Elsa abraçada com ele chorava e pedia perdão pelo desprezo que lhe votara. O pai também chorava arrependido.
Eu e Amália ao lado observávamos comovidos essa cena de arrependimento dos pais e de perdão do filho.
Trinta dias durou a permanência de Abel e sua mãe adotiva na cidade. A casa dos pais foi restaurada, um poço artesiano foi aberto e a água voltou a molhar aquela terra.
Impossibilitado para o trabalho pesado Braz agora apenas supervisionava os trabalhadores e Elsa limitava-se aos afazeres domésticos.
Abel enviava mensalmente uma pensão aos pais.
Naquele tempo eu era pregador e orientador de certa entidade religiosa, mas com a idade minhas atividades foram se tornando cada vez mais escassas até que por fim fui aposentado com uma remuneração insuficiente.
Numa das visitas que Abel, como de costume, fazia a seus pais visitou-me também e apercebeu-se que eu estava envelhecido, alquebrado e sem condições de trabalhar; mandou construir uma casa ao lado da casa da fazenda de seus pais e me instalou nela, onde também passei a fazer refeições.
Sempre nos reuníamos para jogar dominó, mas lá numa noite de lua cheia em que o casal estava desejando fazer outro tipo de jogo, sem algo para fazer sentei-me a escrever essas lembranças.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A MORE DO AVARENTO



A MORTE DO AVARENTO

A enfermaria do hospital púbico estava lotada, o Comendador Natércio giritava e reclamava com um câncer bastante avançado achava-se com direito a uma atenção especial dos funcionários, mas o pronto socorro tinha por norma o atendimento em ordem de entrada. Deram-lhe uma injeção para adormecer.
O Comendador era um avarento convicto, a miserabilidade era sua marca registrada. O convênio médico que pagava era dos piores e assim mesmo o plano mais barato, não tinha direito a uma assistência adequada às suas necessidades.
Baixnho, barrigudo, careca. Cerca de sessenta anos, os olhos grandes salientes, o nariz aquilino redondo, os lábios finos e unidos, a perfeita figura do tipo avarento, orgulhoso e despótico. Era agiota, os juros que praticava eram os mais altos da localidade, o infeliz que lhe caísse às mãos se não conseguisse . pagar em dia seu empréstimo estaria perdido, um dia que fosse de atraso e lá o coitado veria sua dívida multiplicada sem dó nem piedade..
Tipo solitário seu maior prazer era olhar sua coleção de cédulas que guardava em local secreto, não punha no bancos, que a seu ver roubavam seu rico dinheirinho com a cobrança de tudo quanto eram despesas. Todas as noites, antes de dormir abria a caixa de madeira em que guardava o dinheiro e contava e recontava inúmeras vezes. Ao encerrar seu expediente diário no escritório que mais parecia um chiqueiro de tão sujo e desordenado recontava a receita do dia; as notas mais altas chegava a passar no rosto com um sentimento de bem-aventurança. Amava seu dinheiro.
Na enfermaria os médicos e enfermeiros passavam ao largo sem lhe dar a mínima atenção, era um paciente indesejado, lá para meia noite foi levado para a UTI; Os médicos abriram e simplesmente tornaram a fechar seu corpo. Os órgãos internos estavam todos comprometidos.
Quem tivesse a possibilidade de “ver” veria rondando seu leito a figura de um ser do astral inferior. Aguardava a hora de levar aquela alma às profundezas do inferno.
Sua alma foi recepcionada festivamente por uma legião de entidades diabólicas, mas não conseguiram segurá-la. Essa alma apegada, durante muito tempo foi vista cumprindo sua rotina noturna de contagem de dinheiro. Quem chegasse à sua casa de pronto era assaltado por um grupo de diabinhos que tratavam de afastar qualquer interessado em salvar o comendador. Aquela alma estaria perdida por muito tempo se...

Cap. 2º

D. Albertina, viúva idosa entrara a serviço do comendador ainda jovem e casada. Após a morte do marido passou a se interessar pela herança do patrão, tentando, inutilmente conquistar seu amor. Seja por vício ou por manter viva sua esperança, de conquistar o perdulário patrão, continuou até o fim a agüentar suas rabujices. O fato é que após a morte dele continuou a viver na casa, agora na esperança de descobrir o esconderijo do dinheiro que sabia estar guardado em algum lugar secreto, mas por mais que procurasse, que vasculhasse não encontrava. Cada vez que chegava perto do tesouro entidades do baixo astral tratavam de afastá-la de alguma forma e assim a alma do finado ia passando o tempo apegado ao seu tesouro.
Cansada de procurar inutilmente o tesouro, a viúva foi visitar um casal amigo que se dedicava às práticas espirituais. O casal, bem intencionado, concordou em fazer uma sessão especial na condição de que o dinheiro encontrado seria doado inteiramente a uma casa de caridade.
Uma vela, um bastão de incenso e um copo com água sobre uma mesa pequena forrada com uma toalha branca. Uma oração, e quase que de imediato a consulente vai ao chão se debatendo e gritando...
_ Não, não vocês não vão me tirar essa alma. Essa alma é minha, ninguém vai tirá-la de mim. A entidade diabólica retorcia-se pelo chão e continuava a reclamar.
O casal intensificou suas orações invocando seus guias espirituais que se encarregaram de retira-la. A viúva, sem saber o que havia acontecido levantou-se assustada.
_ Minha irmã, falou a vidente, a alma do comendador estava presa por uma entidade do baixo astral que com suas legiões impediam a aproximação de qualquer pessoa ao local em que se encontra escondido o tesouro. Enquanto o finado não se desapegar daquele dinheiro sua alma vai continuar presa e impedida de se elevar aos planos mais elevados do mundo espiritual.
_ O que fazer para que o comendador compreenda que afinal aquele dinheiro já não lhe serve mais para nada?
Dando continuidade à sessão invocou-se a alma do comendador. A muito custo foi trazida pelos guias espirituais, incorporando-se em D. Júlia, debatia-se e reclamava que não queria ficar ali, que queriam roubar seu rico dinheirinho.
Sr Marcus, o dono da casa, bastante experiente nessas questões, passou a falar com a alma do comendador:
_ Meu irmão você não pode mais usar esse dinheiro. Não vê que está preso nesse lugar? Você só poderá sair daí depois que soltar esse dinheiro.
_ Não vou soltar coisa nenhuma, esse dinheiro é meu.
_ O que é que você vai fazer com ele?
_ Isso é problema meu.
_ Você não percebe que esse dinheiro não lhe serve mais para nada?
_ Não vou dar meu dinheiro para ninguém, pa a a ra ninguém; viu, ninguém!
Na impossibilidade de convencer a alma do finado solicitou-se ao mentor espiritual que a levasse para ser orientada num plano mais elevado.
O mentor indicou o local exato em que se encontrava o dinheiro, mas orientou à viúva sobre os perigos a que estava sujeita para retirá-lo de lá, lembrou-lhe também de seu compromisso de entregar o tesouro a uma casa de caridade, assim poderia ser ajudada naquela empreitada.

Cap. 3º

Albertina muniu-se de toda sua coragem e foi ao porão da casa em busca do tesouro; desceu escadaria, mas o local não tinha iluminação, era húmido e mau cheiroso. Foi buscar uma lanterna. Aos primeiros degraus a lanterna apagou, um calafrio lhe deixou toda arrepiada. Voltou à sala; a lanterna acendeu; apagou-a e foi tomar um pouco de água, voltando em seguida para a entrada do porão. Acendeu a lanterna, estava boa, mas aos primeiros degraus voltou a apagar e ela a sentir mais calafrios; retornou à sala. Compreendeu que entidades diabólicas estavam guardando o dinheiro..
_ Eu quero aquele dinheiro para mim, não vou desistir, nem dá-lo para ninguém, trabalhei feito escrava para aquele velho
sovina, preciso me compensar de tanto sacrifício.
Pegou um velho rosário, seu livro de missa, acendeu a lanterna e passou a descer a escada rezando um Padre Nosso, a lanterna continuou a acesa, mas ao se aproximar do dinheiro, a lanterna foi jogada ao chão e ela empurrada também caiu; apavorada levantou-se e subiu correndo a escada; uma gargalhada infernal acompanhou sua retirada.
Agitada, tremendo e com falta de ar ajoelhou-se e passou, amedrontada, a rezar o terço e a invocar todos os santos. Mais calma levantou-se, sentou-se na antiga poltrona do finado, levantou-se assustada, alguma coisa lhe espetou o traseiro.
Nessas alturas consciente de que não conseguiria ficar com o tesouro, nem com aquela casa assombrada do jetio que estava voltou à casa do sr. Marcus, pedindo ajuda.
Sr. Marcus e D. Júlia no dia seguinte foram à casa do finado. Antes de descer a escada do porão invocaram seus guias espirituais e desceram sozinhos. Albertina estava por demais apavorada para tentar mais aquela aventura. O casal desceu sem problemas; num dos cantos do porão uma caixa de madeira guardava o tesouro do comendador, era grande e muito pesada; abriram-na, lá estava uma enorme quantidade cédulas devidamente empilhadas em lotes de cincoenta e cem.. Levaram aos poucos para a sala sem qualquer interrupção de seus guardiões.
Aquela fortuna foi integralmente entregue a uma casa de caridade. Albertina passou a freqüentar assiduamente a casa do Sr. Marcus e lá um dia em plena sessão manifesou-se a alma do comendador. Tinha vindo agradecer a caridade que lhe fizeram. Agora estava feliz e livre de cobiça e apegos.

F I M






quarta-feira, 17 de setembro de 2008

REFLEXÕES

REFLEXÕES

Não dá mais para acreditar que esse universo é obra de puro acaso.
Nada se cria do nada.
Este universo tão bem organizado, com leis tão bem definidas. Os ciclos de dias e noites, as estações do ano, as diversas eras, tudo tão bem estruturado e que só nós, humanos teimamos em subverter tudo.
Os reinos a natureza: mineral, vegetal, animal, humano; cada qual com seu sistema próprio de vida, alimentação, procriação e evolução. Tudo isso me faz crer num Poder Criador, Conservador e Destruidor. Tudo que nasce, cresce, desenvolve-se e por fim morre.
A grande incógnita é: e após a destruição, e após a morte?
No reino humano com a morte o corpo físico e enterrado, seus componentes voltam à natureza, mas qual o destino dos 21 gramos (a vida) essa energia invisível que ocupou nosso corpo enquanto aqui estivemos?
A busca de respostas a essa questão deixo a critério de cada um(a).
Deixo-lhes então algumas perguntas :

VOCÊ CRÊ NUMA VIDA APÓS A MORTE?

COMO VOCÊ VÊ SUA VIDA DAQUI A V INTE OU TRINTA ANOS?

AFINAL, A SEU VER, QUAL A FINALIDADE DA VIDA HUMANA?

ALGUMA COISA PARA VOCÊ PENSAR

Todas as coisas são precedidas pela mente, guiadas pela mente e criadas pela mente. Tudo o que somos hoje é resultado do que temos penado. O que pensamos hoje é o que seremos amanhã; nossa ida é uma criação da nossa mente.SE um homem fala ou age com uma mente impura, o sofrimento o acompanha tão de perto como a roda segue a pata do boi que puxa o carro (Dhammapada - caminho da Lei)

A mente pode transformar o inferno em céu, ou o céu em inferno ( Milton- 1808-74)
O cativeiro ou a liberdade do homem dependem do estado de sua mente (Provérbio Sânscrito)


domingo, 31 de agosto de 2008

ANASTÁCIO- UM BURRO INTEIGENTE

ANASTÁCIO= UM BURRO INTELIGENTE

Aplausos, gritos e assobios marcaram o fim do espetáculo.
A ultima apresentação da noite, como de costume fora dada por um burrico de pouco mais de metro e meio de altura adquirido anos antes pelo Circo Alegria, antes em franca decadência
Em verdade era um animal impar, as coisas que fazia deixava a todos desconfiados sobre sua natureza animal; era mesmo um animal ou algum humano fantasiado? As quatro operações executava mais rapidamente que algum espectador convidado, cujo nome ele soletrava apontando as letras num quadro colocado ao chão; se alguém pedia para localizar um determinado objeto ele saía procurando e ao encontrar balançava a cabeça e zurrava. Muitas outras proezas fazia o pequeno animal.
Contavam-se as estórias mais loucas acerca de sua
natureza; a mais corrente dizia o seguinte:
Um cidadão já entrado em anos, conhecido como Comendador Pedro sentado à sombra de generosa árvore meditava sobre a interdependência e o carma. Absorto, foi desviado do seu mister pelo zurrar de um burro que se aproximava de uma fêmea no cio, com óbvias intenções. Ao mesmo tempo o comendador, dotado de extraordinários poderes ocultos "sentiu " que pairando na área, vagava a alma de seu amigo e mestre Raul, recém falecido. Essa alma estava à procura de oportunidade para reencarnar e assim continuar a missão de orientar os mais novos, na sabedoria milenar de seus ancestrais. O comendador se alvoroçou todo diante da possibilidade do amigo reencarnar como um burrinho. Nesse quase desespero viu a alguma distância uma jovem que estendia roupas no gramado; levantou-se correu para ela, jogou-a ao chão, não havia tempo para explicações, tentou fazer sexo, a fim de atrair a alma do amigo para reencarnar como seu filho.
A moça gritou, debateu-se e por fim saiu gritando nas carreiras para casa, perseguida pelo referido.
Acudida pela mãe a jovem contou-lhe o ocorrido.
A mãe indignada brigou com ela, bateu-lhe e por fim
mandou-a procurar o comendador e se entregar a ele, pois seria uma honra muito grande para a jovem ter um filho daquele cidadão.
O comendador que se aproximava, ouvindo as palavras da
mãe, balançou negativamente a cabeça.
_ É tarde, os animais já consumaram o cruzamento.
Desconsolado voltou onde estava a jumenta e levou-a para sua mansão, onde foi criada com toda deferência, afinal era a alma de seu amigo Raul que nela iria reencarnar.
Na época apropriada deu à luz o lindo rebento a quem deu o nome de Anastácio.
Desde seu nascimento o animal se revelou fora do comum; demonstrava uma sabedoria extraordinária.
Lá um dia surgiu o amigo Joaquim em visita ao comendador que encantado com as habilidades do muar e de seu potencial financeiro tratou de comprá-lo.
A venda daquele animal foi cercada de grandes dificuldades; Anastácio negava-se a deixar a mansão, batia as patas, deu coices, saiu em desabalada carreira pelo campo, escondeu-se no mato e até tentou suicidar-se, mas por fim após muitas peripécias foi colocado numa jaula. O bicho zurrava, batia as patas e até lágrimas viram escorrer de seus olhos. Chegou por fim ao velho continente. Joaquim de imediato procurou a quem vendê-lo.
Na época apenas um circo mambembe estava atuando na área e Joaquim precisava urgentemente de se desfazer do animal, já estava sem dinheiro. Entrou em contato com o proprietário que, apesar de ficar encantado com a possibilidade de levantar o circo, em franca decadência, não tinha dinheiro para comprá-lo.
Acertaram uma sociedade e por fim Anastácio passou a ser a estrela maior do circo, atraindo a cada dia maior número de espectadores.
Em verdade não foi fácil "convencer" o quadrúpede a
“colaborar”, mas alguns corretivos e um tratamento diferenciado, transformaram-no no mais célebre espécime de sua raça, levando muita alegria para uns, dúvidas para outros e muito lucro para o circo. Isso é o que se contava causando polêmica entre as diversas correntes religiosas. Umas concordavam com a possibilidade de, como castigo, uma alma humana reencarnar como animal, outras negando essa possibilidade alegando que por pior que fosse a alma sempre tem alguma evolução, não pode regridir.