ANASTÁCIO= UM BURRO INTELIGENTE
Aplausos, gritos e assobios marcaram o fim do espetáculo.
A ultima apresentação da noite, como de costume fora dada por um burrico de pouco mais de metro e meio de altura adquirido anos antes pelo Circo Alegria, antes em franca decadência
Em verdade era um animal impar, as coisas que fazia deixava a todos desconfiados sobre sua natureza animal; era mesmo um animal ou algum humano fantasiado? As quatro operações executava mais rapidamente que algum espectador convidado, cujo nome ele soletrava apontando as letras num quadro colocado ao chão; se alguém pedia para localizar um determinado objeto ele saía procurando e ao encontrar balançava a cabeça e zurrava. Muitas outras proezas fazia o pequeno animal.
Contavam-se as estórias mais loucas acerca de sua
natureza; a mais corrente dizia o seguinte:
Um cidadão já entrado em anos, conhecido como Comendador Pedro sentado à sombra de generosa árvore meditava sobre a interdependência e o carma. Absorto, foi desviado do seu mister pelo zurrar de um burro que se aproximava de uma fêmea no cio, com óbvias intenções. Ao mesmo tempo o comendador, dotado de extraordinários poderes ocultos "sentiu " que pairando na área, vagava a alma de seu amigo e mestre Raul, recém falecido. Essa alma estava à procura de oportunidade para reencarnar e assim continuar a missão de orientar os mais novos, na sabedoria milenar de seus ancestrais. O comendador se alvoroçou todo diante da possibilidade do amigo reencarnar como um burrinho. Nesse quase desespero viu a alguma distância uma jovem que estendia roupas no gramado; levantou-se correu para ela, jogou-a ao chão, não havia tempo para explicações, tentou fazer sexo, a fim de atrair a alma do amigo para reencarnar como seu filho.
A moça gritou, debateu-se e por fim saiu gritando nas carreiras para casa, perseguida pelo referido.
Acudida pela mãe a jovem contou-lhe o ocorrido.
A mãe indignada brigou com ela, bateu-lhe e por fim
mandou-a procurar o comendador e se entregar a ele, pois seria uma honra muito grande para a jovem ter um filho daquele cidadão.
O comendador que se aproximava, ouvindo as palavras da
mãe, balançou negativamente a cabeça.
_ É tarde, os animais já consumaram o cruzamento.
Desconsolado voltou onde estava a jumenta e levou-a para sua mansão, onde foi criada com toda deferência, afinal era a alma de seu amigo Raul que nela iria reencarnar.
Na época apropriada deu à luz o lindo rebento a quem deu o nome de Anastácio.
Desde seu nascimento o animal se revelou fora do comum; demonstrava uma sabedoria extraordinária.
Lá um dia surgiu o amigo Joaquim em visita ao comendador que encantado com as habilidades do muar e de seu potencial financeiro tratou de comprá-lo.
A venda daquele animal foi cercada de grandes dificuldades; Anastácio negava-se a deixar a mansão, batia as patas, deu coices, saiu em desabalada carreira pelo campo, escondeu-se no mato e até tentou suicidar-se, mas por fim após muitas peripécias foi colocado numa jaula. O bicho zurrava, batia as patas e até lágrimas viram escorrer de seus olhos. Chegou por fim ao velho continente. Joaquim de imediato procurou a quem vendê-lo.
Na época apenas um circo mambembe estava atuando na área e Joaquim precisava urgentemente de se desfazer do animal, já estava sem dinheiro. Entrou em contato com o proprietário que, apesar de ficar encantado com a possibilidade de levantar o circo, em franca decadência, não tinha dinheiro para comprá-lo.
Acertaram uma sociedade e por fim Anastácio passou a ser a estrela maior do circo, atraindo a cada dia maior número de espectadores.
Em verdade não foi fácil "convencer" o quadrúpede a
“colaborar”, mas alguns corretivos e um tratamento diferenciado, transformaram-no no mais célebre espécime de sua raça, levando muita alegria para uns, dúvidas para outros e muito lucro para o circo. Isso é o que se contava causando polêmica entre as diversas correntes religiosas. Umas concordavam com a possibilidade de, como castigo, uma alma humana reencarnar como animal, outras negando essa possibilidade alegando que por pior que fosse a alma sempre tem alguma evolução, não pode regridir.
domingo, 31 de agosto de 2008
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
LONGEVIDADE INTOLERÁVEL
LONGEVIDADE INTOLERÁVEL
Dona Virgulina era uma senhora bastante idosa, riquíssima, mas totalmente intolerável, verdadeira megera.
O filho mais velho, desempregado, casado e com dois filhos vivia praticamente de favor em sua casa, aturando diariamente as impertinências da velha .Era ele, em realidade uma exceção na família. Tipo bom e trabalhador, estava azarado, por mais que procurasse não encontrava emprego e assim vivia suportando calado a humilhação a que a mãe submetia sua família.
_Você é um imprestável, não se mexe para nada, sua mulher é uma toupeira, porque não vão embora de uma vez desta casa? Ainda por cima esses meninos desobedientes e barulhentos. Me deixem em paz de uma vez! Era a cantilena diária da velha..
Os demais parentes, filhos, netos, sobrinhos etc. só a visitavam uma vez por ano em seu aniversário, mas era sempre a mesma cantilena:
_ Que é que vocês vieram fazer aqui? Reclamava a velhota.
_Vocês não gostam de mim, só querem mesmo me ver morta para passar a mão no meu dinheiro. São um bando de urubus agourentos. Vão embora!
A velhota tinha razão. Seus parentes eram um bando de vadios que estavam apenas aguardando a hora da “liberdade”, o que se daria, pensavam eles, com a morte da velha. que era entretanto muito forte e tinha uma saúde de ferro. Já com noventa anos não parava. Era da cozinha para a sala; da sala para o quintal; subia e descia escadas como qualquer moleque, para profundo desgosto dos parentes..
Lá um dia, um dos parentes que dia a dia mais de endividava, contando com a morte da velha de uma hora para outra, incomodado com sua longevidade reuniu os demais e combinaram antecipar a passagem da velhota desta, para a melhor.
Como estava próximo a seu nonagésimo sexto aniversário planejaram comemorá-lo adequadamente.
Um enorme bolo de aniversário com duas velas indicando a idade da aniversariante jazia majestosamente à mesa devidamente decorada para a ocasião.
_ Vocês são uns perdulários, para que essa ostentação se não gostam de mim?
_Não, não é verdade, todos lhe amamos, falou um dos parentes.
_ É verdade, é verdade, todos lhe amamos, afirmaram os demais em coro.
Lá para às tantas alguém lembrou que era hora de partir o bolo.
Reuniram-se em torno da mesa. A velha próxima ao bolo e os demais mais ou menos afastados. Foram acesas as velinhas.
_Parabéns pra você, nessa data querida....
Uma terrível explosão abalou todo o prédio.
Os bombeiros foram chamados; apagadas as chamas iniciou-se a procura de sobreviventes.
_ Ai, ai, vocês são uns miseráveis, vocês não gostam de mim, só querem é meu dinheiro, urubus agourentos .... ouvia-se por baixo dos escombros.
Só a Virgulina escapou da explosão..
Dona Virgulina era uma senhora bastante idosa, riquíssima, mas totalmente intolerável, verdadeira megera.
O filho mais velho, desempregado, casado e com dois filhos vivia praticamente de favor em sua casa, aturando diariamente as impertinências da velha .Era ele, em realidade uma exceção na família. Tipo bom e trabalhador, estava azarado, por mais que procurasse não encontrava emprego e assim vivia suportando calado a humilhação a que a mãe submetia sua família.
_Você é um imprestável, não se mexe para nada, sua mulher é uma toupeira, porque não vão embora de uma vez desta casa? Ainda por cima esses meninos desobedientes e barulhentos. Me deixem em paz de uma vez! Era a cantilena diária da velha..
Os demais parentes, filhos, netos, sobrinhos etc. só a visitavam uma vez por ano em seu aniversário, mas era sempre a mesma cantilena:
_ Que é que vocês vieram fazer aqui? Reclamava a velhota.
_Vocês não gostam de mim, só querem mesmo me ver morta para passar a mão no meu dinheiro. São um bando de urubus agourentos. Vão embora!
A velhota tinha razão. Seus parentes eram um bando de vadios que estavam apenas aguardando a hora da “liberdade”, o que se daria, pensavam eles, com a morte da velha. que era entretanto muito forte e tinha uma saúde de ferro. Já com noventa anos não parava. Era da cozinha para a sala; da sala para o quintal; subia e descia escadas como qualquer moleque, para profundo desgosto dos parentes..
Lá um dia, um dos parentes que dia a dia mais de endividava, contando com a morte da velha de uma hora para outra, incomodado com sua longevidade reuniu os demais e combinaram antecipar a passagem da velhota desta, para a melhor.
Como estava próximo a seu nonagésimo sexto aniversário planejaram comemorá-lo adequadamente.
Um enorme bolo de aniversário com duas velas indicando a idade da aniversariante jazia majestosamente à mesa devidamente decorada para a ocasião.
_ Vocês são uns perdulários, para que essa ostentação se não gostam de mim?
_Não, não é verdade, todos lhe amamos, falou um dos parentes.
_ É verdade, é verdade, todos lhe amamos, afirmaram os demais em coro.
Lá para às tantas alguém lembrou que era hora de partir o bolo.
Reuniram-se em torno da mesa. A velha próxima ao bolo e os demais mais ou menos afastados. Foram acesas as velinhas.
_Parabéns pra você, nessa data querida....
Uma terrível explosão abalou todo o prédio.
Os bombeiros foram chamados; apagadas as chamas iniciou-se a procura de sobreviventes.
_ Ai, ai, vocês são uns miseráveis, vocês não gostam de mim, só querem é meu dinheiro, urubus agourentos .... ouvia-se por baixo dos escombros.
Só a Virgulina escapou da explosão..
sábado, 9 de agosto de 2008
Brunehilda-Um Vampiro Diferente
BRUNEHILDA
UM VAMPIRO DIFERENTE
Cap. 1º
Era uma mulher terrivelmente bela. Cabelos e olhos negros, brilhantes, os lábios carnudos, com uma pintura quase roxa. Seu corpo extraordinariamente modelado movimentava-se em meneios sensuais , num vestido de cetim negro; decote bastante generoso, mantilha vermelha salpicada de pequenas estrelas prateadas. Uma tiara de ouro completava seu figurino
Um perfume de combinação especial de essências deixava enlouquecidos os homens daquela festa de debutantes, filhas de conhecidos figurões da sociedade, de uma cidade distante.
. Relanceando o olhar pelo salão encontrou um jovem adequado ás suas necessidades, dentro em pouco Alberto, totalmente subjugado, foi levado a seu castelo
No subterrâneo do castelo, um templo dedicado às entidades goéticas, em sua parede sul uma figura infernal dominava o ambiente. No centro do salão um pentagrama invertido rodeado de velas negras; um incenso mal cheiroso evolava de um fogareiro.
Brunehilda gritava imprecações e promessas de sexo com satã em troca da vitalidade de Alberto, que sentado num banquinho entre as pontas do pentagrama tudo assistia sem reação, totalmente impotente.
Cap. 2º
No dia seguinte na empresa em que Alberto trabalhava, estranharam sua prolongada ausência . Passaram-se três semanas; de sua residência e nada souberam informar.
Áureo um jovem colega de trabalho, estudioso das ciência ocultas, preocupado, domingo, deitou-se num divã e concentrou-se no amigo. Em poucos instantes lhe veio à visão o corpo de Alberto envolvido por enorme aranha cujas garras negras e peludas lhe sugavam violentamente a vitalidade. Viu também uma igreja com um relógio em todas as faces da torre, um cata-vento com um galo em cima e também uma estação ferroviária com o nome da aldeia. Sua visão mostrava agora a aranha a se retorcer e fincar mais suas garras no corpo do rapaz..
Áureo contou o caso a seus chefes que lhe deram uma semana de licença para tentar salvar o amigo.
Não foi difícil localizar o castelo; à sua chegada as portas abriram-se misteriosamente, caminhou pelo hall e intuitivamente foi em direção a um aposento à sua frente; a porta abriu-se também de forma misteriosa era a entrada do subterrâneo, continuou seguindo em frente. Uma cortina de veludo escarlate impediu-lhe a passagem; abriu-a e no centro do salão viu o amigo jogado ao chão, no meio de um círculo rodeado de velas pretas, o mesmo incenso fétido impregnava todo o ambiente. De pé, desafiante Brunehilda, numa voz melíflua chamava:
_ Venha, estava lhe esperando.
_ Mulher maldita, o que fazes?
_ Bem sabes o que faço, porque perguntas?
_. Venho pedir-te por esse rapaz.
_ Pedir? Ah, Ah, Ah, pedir! Você vem me pedir? .
_ Sim, venho pedir-te retrucou Áureo humildemente.
_ Pedes inutilmente. Investi muito nesse infeliz, não vou dispensá-lo sem mais nem menos.
_ Pede o que quiseres: dinheiro, ouro, qualquer coisa.
_ Ah, Ah, Ah, não banques o inocente, não preciso destas coisas., mas poderás consegui-lo.
_Como? Qual é o preço?
_ Tu o substituirás!
O coração de Áureo bateu aceleradamente, Não estava preparado para aquilo. Se aceitasse a troca para salvar o amigo, após sugado em toda vitalidade, seria jogado semi morto em qualquer beira de estrada.
"Prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão", esse verso passou a lhe martelar a cabeça. Como eram bonitas aquelas palavras, mas quão cruéis naquela situação. Ele ainda jovem em fase de treinamento espiritual avançado de repente ter de fazer tal barganha com aquela mulher que lhe olhava zombeteiramente. A humanidade sairia perdendo com aquela troca. Alberto era um bom rapaz, mas teria de voltar ainda muitas vezes à terra para alcançar seu grau de espiritualidade. Alberto neste estágio de vida só pensava em gozar dos prazeres da vida.
_ Em que pensas? Achas o meu preço muito alto ? Deixarás morrer o teu amigo? Onde está o amor que tanto pregas?
Áureo estava meditativo, pensando sobre as conseqüências do que iria fazer, de repente levantou altivamente a cabeça e disse:
_ Muito bem, mulher cruel, aqui me tens despojado de qualquer indecisão. Toma-me em substituição à tua inocente vítima.
_ Aguarde um pouco!
Brunehilda voltou-se para o altar e em terríveis imprecações comunicou à sua entidade satânica o que iria fazer. Ao longe ouviu-se uma gargalhada debochada. Pronunciou uma invocação, apagou as velas, retirou alguns objetos rituais do círculo traçado com carvão, apagando-o em seguida.
Ao som de uma sineta surgiram alguns criados que levantaram Alberto. Deram-lhe uma beberagem e em pouco tempo o rapaz ficou consciente.
_Oh, onde estou? Áureo o que veio fazer aqui? Por que é que eu estou aqui?
Olhou à sua volta e se deparou com Brunehilda, mas não tinha a mínima idéia do que lhe acontecera. Havia também perdido a noção do tempo.
_ Áureo o que veio fazer aqui? - perguntou novamente.
_ Nada perguntes Alberto. Saia daqui.
Tirou algum dinheiro do bolso e deu ao amigo. Há um táxi esperando aí fora, volte imediatamente para sua casa. Um dia, talvez, saberás o que aconteceu.
Alberto se foi, Áureo ficou no castelo à disposição da megera..
Cap, 3º
No centro do círculo a nova vítima e a megera totalmente despidos; pronta
toda aquela satânica parafernália Brunehilda iniciou suas evocações às infernais entidades. Alguns momentos após estava como que possuída pelo demônio, soltava pelas narinas dilatadas uma fumaça sulfúrica, os olhos esbugalhados, injetados de sangue, como que a lhe saltar das órbitas dardejavam faíscas de fogo sobre a vítima. A bela e brilhante cabeleira agora totalmente desgrenhada, parecia espinhos enormes. Após alguns passos esquisitos de dança começou a dar voltas em torno do círculo onde Áureo consciente de tudo, aguardava o desfecho daquela cerimônia infernal. De pé olhando para o rapaz a megera riu triunfante e jogou-se sobre ele, procurando se ajustar perfeitamente ao seu corpo. Procurava unir todos os seus centros vitais com os do rapaz e assim nessa posição por força de formidáveis segredos sugar-lhe a vida.
Áureo aceitou humildemente a tudo aquilo entregando sua vitalidade em troca da vida do amigo. Por quantos dias teria que passar por aquele sofrimento até ter sido totalmente sugado, não tinha a menor idéia, mas estava consciente de que durante algum tempo teria que se entregar aquele sórdido ritual até que seu organismo não tivesse mais capacidade de recuperação.
Um grito de terror ecoou à distância. Uma ventania estranha fez tremular as chamas das velas, que por fim se apagaram. A megera ficou totalmente perturbada. Nunca fora interrompida assim em plena operação. Sobressaltou-se. O que viu deixou-a furiosa e aterrorizada. Um ser de elevada espiritualidade, com uma esplendorosa auréola dourada estava diante do círculo. Pulou assustada e caiu urrando, contorcendo-se desesperadamente.
_Mulher terrível, tua faina nefanda chegou ao fim! - falou-lhe a entidade.
_Não, não! Ó potências infernais, vinde socorrer tua serva. Ó Belzebu, ó entidades do mal. vinde acudir vossa escrava , não me abandonem!
Uma gargalhada de deboche foi desaparecendo ao longe.
_ Teus senhores nada podem agora fazer por ti. Volta ao limbo de onde viestes!
Assim dizendo a entidade apôs sua mão direita sobre a cabeça do vampiro
que contorcia-se desesperadamente.
_Não, não, tem piedade!
Como um balão de ar, a megera foi murchando aos poucos, até desaparecer totalmente.
_Meu filho, tu destes neste momento a maior prova de amor que uma pessoa pode dar neste mundo fenomênico.
_Será que estou morto? - pensou Áureo.
_ Não meu filho, não estás morto. Mas neste momento é que como que o estivesses,
seguirás agora comigo para um monastério secreto onde passarás a ter um treinamento mais avançado.
Áureo relutava.
_Meu emprego, minha família o que será dela?
_ “Deixe que os mortos enterrem seus mortos, vamos!
Dizem que durante muito tempo quem à noite passasse por aquele castelo ouvia os terríveis gemidos do vampiro.
F I M
UM VAMPIRO DIFERENTE
Cap. 1º
Era uma mulher terrivelmente bela. Cabelos e olhos negros, brilhantes, os lábios carnudos, com uma pintura quase roxa. Seu corpo extraordinariamente modelado movimentava-se em meneios sensuais , num vestido de cetim negro; decote bastante generoso, mantilha vermelha salpicada de pequenas estrelas prateadas. Uma tiara de ouro completava seu figurino
Um perfume de combinação especial de essências deixava enlouquecidos os homens daquela festa de debutantes, filhas de conhecidos figurões da sociedade, de uma cidade distante.
. Relanceando o olhar pelo salão encontrou um jovem adequado ás suas necessidades, dentro em pouco Alberto, totalmente subjugado, foi levado a seu castelo
No subterrâneo do castelo, um templo dedicado às entidades goéticas, em sua parede sul uma figura infernal dominava o ambiente. No centro do salão um pentagrama invertido rodeado de velas negras; um incenso mal cheiroso evolava de um fogareiro.
Brunehilda gritava imprecações e promessas de sexo com satã em troca da vitalidade de Alberto, que sentado num banquinho entre as pontas do pentagrama tudo assistia sem reação, totalmente impotente.
Cap. 2º
No dia seguinte na empresa em que Alberto trabalhava, estranharam sua prolongada ausência . Passaram-se três semanas; de sua residência e nada souberam informar.
Áureo um jovem colega de trabalho, estudioso das ciência ocultas, preocupado, domingo, deitou-se num divã e concentrou-se no amigo. Em poucos instantes lhe veio à visão o corpo de Alberto envolvido por enorme aranha cujas garras negras e peludas lhe sugavam violentamente a vitalidade. Viu também uma igreja com um relógio em todas as faces da torre, um cata-vento com um galo em cima e também uma estação ferroviária com o nome da aldeia. Sua visão mostrava agora a aranha a se retorcer e fincar mais suas garras no corpo do rapaz..
Áureo contou o caso a seus chefes que lhe deram uma semana de licença para tentar salvar o amigo.
Não foi difícil localizar o castelo; à sua chegada as portas abriram-se misteriosamente, caminhou pelo hall e intuitivamente foi em direção a um aposento à sua frente; a porta abriu-se também de forma misteriosa era a entrada do subterrâneo, continuou seguindo em frente. Uma cortina de veludo escarlate impediu-lhe a passagem; abriu-a e no centro do salão viu o amigo jogado ao chão, no meio de um círculo rodeado de velas pretas, o mesmo incenso fétido impregnava todo o ambiente. De pé, desafiante Brunehilda, numa voz melíflua chamava:
_ Venha, estava lhe esperando.
_ Mulher maldita, o que fazes?
_ Bem sabes o que faço, porque perguntas?
_. Venho pedir-te por esse rapaz.
_ Pedir? Ah, Ah, Ah, pedir! Você vem me pedir? .
_ Sim, venho pedir-te retrucou Áureo humildemente.
_ Pedes inutilmente. Investi muito nesse infeliz, não vou dispensá-lo sem mais nem menos.
_ Pede o que quiseres: dinheiro, ouro, qualquer coisa.
_ Ah, Ah, Ah, não banques o inocente, não preciso destas coisas., mas poderás consegui-lo.
_Como? Qual é o preço?
_ Tu o substituirás!
O coração de Áureo bateu aceleradamente, Não estava preparado para aquilo. Se aceitasse a troca para salvar o amigo, após sugado em toda vitalidade, seria jogado semi morto em qualquer beira de estrada.
"Prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão", esse verso passou a lhe martelar a cabeça. Como eram bonitas aquelas palavras, mas quão cruéis naquela situação. Ele ainda jovem em fase de treinamento espiritual avançado de repente ter de fazer tal barganha com aquela mulher que lhe olhava zombeteiramente. A humanidade sairia perdendo com aquela troca. Alberto era um bom rapaz, mas teria de voltar ainda muitas vezes à terra para alcançar seu grau de espiritualidade. Alberto neste estágio de vida só pensava em gozar dos prazeres da vida.
_ Em que pensas? Achas o meu preço muito alto ? Deixarás morrer o teu amigo? Onde está o amor que tanto pregas?
Áureo estava meditativo, pensando sobre as conseqüências do que iria fazer, de repente levantou altivamente a cabeça e disse:
_ Muito bem, mulher cruel, aqui me tens despojado de qualquer indecisão. Toma-me em substituição à tua inocente vítima.
_ Aguarde um pouco!
Brunehilda voltou-se para o altar e em terríveis imprecações comunicou à sua entidade satânica o que iria fazer. Ao longe ouviu-se uma gargalhada debochada. Pronunciou uma invocação, apagou as velas, retirou alguns objetos rituais do círculo traçado com carvão, apagando-o em seguida.
Ao som de uma sineta surgiram alguns criados que levantaram Alberto. Deram-lhe uma beberagem e em pouco tempo o rapaz ficou consciente.
_Oh, onde estou? Áureo o que veio fazer aqui? Por que é que eu estou aqui?
Olhou à sua volta e se deparou com Brunehilda, mas não tinha a mínima idéia do que lhe acontecera. Havia também perdido a noção do tempo.
_ Áureo o que veio fazer aqui? - perguntou novamente.
_ Nada perguntes Alberto. Saia daqui.
Tirou algum dinheiro do bolso e deu ao amigo. Há um táxi esperando aí fora, volte imediatamente para sua casa. Um dia, talvez, saberás o que aconteceu.
Alberto se foi, Áureo ficou no castelo à disposição da megera..
Cap, 3º
No centro do círculo a nova vítima e a megera totalmente despidos; pronta
toda aquela satânica parafernália Brunehilda iniciou suas evocações às infernais entidades. Alguns momentos após estava como que possuída pelo demônio, soltava pelas narinas dilatadas uma fumaça sulfúrica, os olhos esbugalhados, injetados de sangue, como que a lhe saltar das órbitas dardejavam faíscas de fogo sobre a vítima. A bela e brilhante cabeleira agora totalmente desgrenhada, parecia espinhos enormes. Após alguns passos esquisitos de dança começou a dar voltas em torno do círculo onde Áureo consciente de tudo, aguardava o desfecho daquela cerimônia infernal. De pé olhando para o rapaz a megera riu triunfante e jogou-se sobre ele, procurando se ajustar perfeitamente ao seu corpo. Procurava unir todos os seus centros vitais com os do rapaz e assim nessa posição por força de formidáveis segredos sugar-lhe a vida.
Áureo aceitou humildemente a tudo aquilo entregando sua vitalidade em troca da vida do amigo. Por quantos dias teria que passar por aquele sofrimento até ter sido totalmente sugado, não tinha a menor idéia, mas estava consciente de que durante algum tempo teria que se entregar aquele sórdido ritual até que seu organismo não tivesse mais capacidade de recuperação.
Um grito de terror ecoou à distância. Uma ventania estranha fez tremular as chamas das velas, que por fim se apagaram. A megera ficou totalmente perturbada. Nunca fora interrompida assim em plena operação. Sobressaltou-se. O que viu deixou-a furiosa e aterrorizada. Um ser de elevada espiritualidade, com uma esplendorosa auréola dourada estava diante do círculo. Pulou assustada e caiu urrando, contorcendo-se desesperadamente.
_Mulher terrível, tua faina nefanda chegou ao fim! - falou-lhe a entidade.
_Não, não! Ó potências infernais, vinde socorrer tua serva. Ó Belzebu, ó entidades do mal. vinde acudir vossa escrava , não me abandonem!
Uma gargalhada de deboche foi desaparecendo ao longe.
_ Teus senhores nada podem agora fazer por ti. Volta ao limbo de onde viestes!
Assim dizendo a entidade apôs sua mão direita sobre a cabeça do vampiro
que contorcia-se desesperadamente.
_Não, não, tem piedade!
Como um balão de ar, a megera foi murchando aos poucos, até desaparecer totalmente.
_Meu filho, tu destes neste momento a maior prova de amor que uma pessoa pode dar neste mundo fenomênico.
_Será que estou morto? - pensou Áureo.
_ Não meu filho, não estás morto. Mas neste momento é que como que o estivesses,
seguirás agora comigo para um monastério secreto onde passarás a ter um treinamento mais avançado.
Áureo relutava.
_Meu emprego, minha família o que será dela?
_ “Deixe que os mortos enterrem seus mortos, vamos!
Dizem que durante muito tempo quem à noite passasse por aquele castelo ouvia os terríveis gemidos do vampiro.
F I M
domingo, 3 de agosto de 2008
O Elefante
O ELEFANTE
Eduardo P. F. Netto
_ Vovô, vovô, conta aquela história de como o senhor perdeu os marfins, pediu Ricardinho, o mais novo dos pequenos elefantes, xodó de Galhardo, o velho paquiderme.
_ Sim, vovô, conta, conta. Pediram os outros dois netinhos que todas as noites se acomodavam ao lado do velho avô para ouvir suas histórias sempre repletas de suas mais variadas peripécias.
_ Não, não negava o velho, sem muita resistência. Por que é que vocês gostam de histórias tão tristes?
_ Conta, conta, conta! Insistiam os bebês elefantes.
_ Está bem, está bem, não precisam gritar não. E o velho mastodonte, limpando uma pequena lágrima que persistia em não cair, concordou em rememorar seus dias de fausto, mas também de grandes sofrimentos que passou em sua longa existência.
_ Muito jovem ainda eu era o maior animal da região, por isso fui levado para servir no palácio do Marajá. Em meu dorso carregava reis, rainhas, príncipes e princesas, desfilava pelas ruas todo enfeitado, meus marfins eram pintados com tinta de ouro, minha cabeça coberta com tecido ricamente ornamentado, o palanquin era uma verdadeira obra de arte. E eu desfilava garboso, orgulhoso balançando feliz a tromba para lá e para cá manifestando minha alegria e o orgulho que sentia por servir ao marajá. Era tratado como o rei dos animais. Vivia feliz.
_ E por que está assim agora?
_ Bem, lá um dia apareceu nas terras do marajá um meu parente maior e mais bonito que eu, o resultado é que terminaram me vendendo para outro potentado da região que não era tão rico e como eu dava muitas despesas terminou por me vender para um circo. Aí as coisas começaram a piorar. Obrigaram-me a custo de muitas espetadas que me deixavam sangrando, a dançar e a fazer piruetas, a me levantar, ora nas patas traseiras, ora nas dianteiras e assim passei cinco anos sofrendo cada vez que meu tratador inventava uma nova apresentação. Geralmente quando terminava minha apresentação a multidão aplaudia com entusiasmo, inconsciente do meu sofrimento, e o tratador sorria e agradecia feliz da vida, e quase morto de cansado voltava capengando para meu cercado.
Lá um dia resolvi dar um basta àquela situação humilhante, eu um animal nobre que teve em seu dorso reis e rainhas, sujeito agora a alegrar uma multidão que não tinha idéia do meu sofrimento para lhe proporcionar aqueles momentos de prazer. Passei a imaginar um meio de acabar de vez com aquilo tudo.
A semana inteira enquanto o circo era montado numa grande capital do país uma turma passou a desfilar pela cidade, mostrando suas atrações: a banda de música, os tigres, ursos, cavalos enormes, palhaços, bailarinas e eu carregando o miserável do tratador que vez ou outra me fofocava com seu ferrão para eu fazer uma graça qualquer. Os acrobatas demonstrava suas habilidades, os palhaços faziam graças e vez por outra gritavam:
HOJE TEM ESPETÁCULO;
TEM SIM SENHOR, gritavam os outros
O PAHAÇO O QUE É?
É LADRÃO DE MULHER
HÁ, HÁ, HÁ
Assim percorríamos os bairros da capital. Na volta estávamos todos muito cansados
Era uma semana de festas naquela capital, no sábado comemorava-se seu aniversário, o circo estava cheio. Eram aplausos e uma gritaria infernal, a cada apresentação dos artistas e dos animais. Por fim chegou a hora de minha esperada apresentação, estavam todos ansiosos por ver o elefante dançarino, conforme anunciavam.
O tratador à minha frente, tendo á mão seu instrumento de tortura, metido num traje ridículo, gesticulava feliz para a multidão.
A banda iniciou o dobrado com o qual eu fazia algumas piruetas, o povo gritava que queria ver o elefante dançar como fora anunciado pelos percursos nas ruas.
Chegou então o glorioso momento. A banda iniciou a tocar a valsa Danúbio Azul do grande compositor Strauss.
A multidão em silêncio aguardava a performance. No centro do picadeiro eu permanecia parado. O tratador me pedia para dançar, gritava, xingava e eu balançava a cabeça dizendo que não. A multidão gritava, o tratador enfurecia-se, mas não podia me espetar diante do povo e gritava e me ameaçava, e eu simplesmente balançava negativamente a cabeça. Num determinado momento ele passou a minha frente peguei-o com a tromba e balancei-o de um lado para outro, jogando-o finalmente para o alto. Já no solo, desmaiado passei por cima dele dei-lhe uma bela mijada e por fim aquela cagada, o povo gritava, aplaudia, julgava que fazia parte do espetáculo. Foi uma verdadeira apoteose.
Os elefantinhos rolavam de alegria.
_ Bem, um dos empregados do circo me atirou um dardo com substância tranqüilizante e em pouco tempo fui ao chão e arrastado para fora do picadeiro. A multidão gritava, queria mais.
Não voltei mais ao picadeiro, disseram que eu havia enlouquecido, mas que doido que nada, eu estava era cansado e aborrecido com tudo aquilo e resolvera me vingar. Diariamente me aplicavam o tranqüilizante. Um dia quando acordei estava sem meus marfins e abandonado numa floresta quase morto.
Um grupo de seres humanos me encontrou naquele estado e passou a cuidar de mim e logo recuperei minhas forças e por hoje já chega de histórias, vão , vão vão tratar de dormir seus moleques travessos.
O velho Galhardo rolou para um lado e passou também a dormir e sonhar.
Eduardo P. F. Netto
_ Vovô, vovô, conta aquela história de como o senhor perdeu os marfins, pediu Ricardinho, o mais novo dos pequenos elefantes, xodó de Galhardo, o velho paquiderme.
_ Sim, vovô, conta, conta. Pediram os outros dois netinhos que todas as noites se acomodavam ao lado do velho avô para ouvir suas histórias sempre repletas de suas mais variadas peripécias.
_ Não, não negava o velho, sem muita resistência. Por que é que vocês gostam de histórias tão tristes?
_ Conta, conta, conta! Insistiam os bebês elefantes.
_ Está bem, está bem, não precisam gritar não. E o velho mastodonte, limpando uma pequena lágrima que persistia em não cair, concordou em rememorar seus dias de fausto, mas também de grandes sofrimentos que passou em sua longa existência.
_ Muito jovem ainda eu era o maior animal da região, por isso fui levado para servir no palácio do Marajá. Em meu dorso carregava reis, rainhas, príncipes e princesas, desfilava pelas ruas todo enfeitado, meus marfins eram pintados com tinta de ouro, minha cabeça coberta com tecido ricamente ornamentado, o palanquin era uma verdadeira obra de arte. E eu desfilava garboso, orgulhoso balançando feliz a tromba para lá e para cá manifestando minha alegria e o orgulho que sentia por servir ao marajá. Era tratado como o rei dos animais. Vivia feliz.
_ E por que está assim agora?
_ Bem, lá um dia apareceu nas terras do marajá um meu parente maior e mais bonito que eu, o resultado é que terminaram me vendendo para outro potentado da região que não era tão rico e como eu dava muitas despesas terminou por me vender para um circo. Aí as coisas começaram a piorar. Obrigaram-me a custo de muitas espetadas que me deixavam sangrando, a dançar e a fazer piruetas, a me levantar, ora nas patas traseiras, ora nas dianteiras e assim passei cinco anos sofrendo cada vez que meu tratador inventava uma nova apresentação. Geralmente quando terminava minha apresentação a multidão aplaudia com entusiasmo, inconsciente do meu sofrimento, e o tratador sorria e agradecia feliz da vida, e quase morto de cansado voltava capengando para meu cercado.
Lá um dia resolvi dar um basta àquela situação humilhante, eu um animal nobre que teve em seu dorso reis e rainhas, sujeito agora a alegrar uma multidão que não tinha idéia do meu sofrimento para lhe proporcionar aqueles momentos de prazer. Passei a imaginar um meio de acabar de vez com aquilo tudo.
A semana inteira enquanto o circo era montado numa grande capital do país uma turma passou a desfilar pela cidade, mostrando suas atrações: a banda de música, os tigres, ursos, cavalos enormes, palhaços, bailarinas e eu carregando o miserável do tratador que vez ou outra me fofocava com seu ferrão para eu fazer uma graça qualquer. Os acrobatas demonstrava suas habilidades, os palhaços faziam graças e vez por outra gritavam:
HOJE TEM ESPETÁCULO;
TEM SIM SENHOR, gritavam os outros
O PAHAÇO O QUE É?
É LADRÃO DE MULHER
HÁ, HÁ, HÁ
Assim percorríamos os bairros da capital. Na volta estávamos todos muito cansados
Era uma semana de festas naquela capital, no sábado comemorava-se seu aniversário, o circo estava cheio. Eram aplausos e uma gritaria infernal, a cada apresentação dos artistas e dos animais. Por fim chegou a hora de minha esperada apresentação, estavam todos ansiosos por ver o elefante dançarino, conforme anunciavam.
O tratador à minha frente, tendo á mão seu instrumento de tortura, metido num traje ridículo, gesticulava feliz para a multidão.
A banda iniciou o dobrado com o qual eu fazia algumas piruetas, o povo gritava que queria ver o elefante dançar como fora anunciado pelos percursos nas ruas.
Chegou então o glorioso momento. A banda iniciou a tocar a valsa Danúbio Azul do grande compositor Strauss.
A multidão em silêncio aguardava a performance. No centro do picadeiro eu permanecia parado. O tratador me pedia para dançar, gritava, xingava e eu balançava a cabeça dizendo que não. A multidão gritava, o tratador enfurecia-se, mas não podia me espetar diante do povo e gritava e me ameaçava, e eu simplesmente balançava negativamente a cabeça. Num determinado momento ele passou a minha frente peguei-o com a tromba e balancei-o de um lado para outro, jogando-o finalmente para o alto. Já no solo, desmaiado passei por cima dele dei-lhe uma bela mijada e por fim aquela cagada, o povo gritava, aplaudia, julgava que fazia parte do espetáculo. Foi uma verdadeira apoteose.
Os elefantinhos rolavam de alegria.
_ Bem, um dos empregados do circo me atirou um dardo com substância tranqüilizante e em pouco tempo fui ao chão e arrastado para fora do picadeiro. A multidão gritava, queria mais.
Não voltei mais ao picadeiro, disseram que eu havia enlouquecido, mas que doido que nada, eu estava era cansado e aborrecido com tudo aquilo e resolvera me vingar. Diariamente me aplicavam o tranqüilizante. Um dia quando acordei estava sem meus marfins e abandonado numa floresta quase morto.
Um grupo de seres humanos me encontrou naquele estado e passou a cuidar de mim e logo recuperei minhas forças e por hoje já chega de histórias, vão , vão vão tratar de dormir seus moleques travessos.
O velho Galhardo rolou para um lado e passou também a dormir e sonhar.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
O INCUBO
O INCUBO
EDUARDO P. F. NETO
Uma terrível cirrose provocada pelo excesso de bebidas alcoólicas provocar a morte de Adalberto ainda jovem. Tornou-se viciado na bebida desde cedo e nunca mais parou.
Chegou ao hospital com uma crise irreversível e ali morrera.No velório só alguns amigos, também bebuns.
A noite, o corpo já enterrado, sua alma em desespero queria tirá-lo dali. Procurava cavar a sepultura, queria sair dali de qualquer forma. Por fim...
_ E aí galera posso fazer companhia a vocês? Perguntou Adalberto numa voz engrolada de quem “já estava pra lá de Bagdá”
_Quem é você? Perguntou Mário que parecia ser o líder daquele grupo, também com a voz já um bocado alterada pela bebida.
_ Eu, eu sou quem sou, que é que é? Podem me chamar de Adalberto.
_ Tá bem, tá bem, não precisa se alterar não; puxe uma cadeira e sente por aí, concordou Mário.
O Saralho naquela hora estava quase vazio, eram quase uma da madrugada.
Adalberto puxou uma cadeira e colocou-se entre dois outros também já bastante alterados. Garrafas de cerveja, vodka e gin estavam espalhadas pelo chão.
_ De onde você é Adalberto? Perguntou Victor.
_ Eu sou de lá, de lá.
_ De lá de onde? Insistiu Severino
_ De lá, de lá.
Vendo que não adiantava insistir não fizeram mais perguntas e trataram de continuar a beber e a contar piadas.
Lá para as três horas, todos mais bêbados que o costume Mario falou: pur hoje chega, vamo imbora.
_ Vou fazer xixi, volto já. Disse Adalberto levantando-se. Se equilibrando como podia dirigiu-se ao sanitário.
_Ó, Ó, Ó, Garçom, garçom, traga a conta, pediu Mario.
O funcionário pôs a conta em cima da mesa. Mario passou a analisá-la.
_ Essa conta tá errada; eu tô bêbo, mas não tô morto não. Ocê pôs mais cerveja na conta do que gastamos. Conte direito aí no chão, só tem vinte garrafas de cerveja e aqui tem vinte e cinco; tá querendo me ingrumpi? Vá dizê prô seu patrão que num sou bobo não.
O garçom envergonhado pegou a conta e voltou depois com outra com as quantidades corretas.
-E agora pessoal, quero vinte mangos de cada um; cadê Adalberto?
Nesse instante uma sombra fria, gelada mesmo, passa ao lado deles provocando um arrepio esquisito em todos. Alfredo foi ao sanitário procurar Adalberto.
_ Sumiu, o vagabundo. Gritou.
Naquele instante tiveram a consciência de que tinham passado a noite em companhia de uma alma penada. Apavorados, saíram às pressas dali cambaleando e tropeçando em tudo.
Alguns pararam de beber, outros nunca mais voltaram àquele lugar.
FIM
EDUARDO P. F. NETO
Uma terrível cirrose provocada pelo excesso de bebidas alcoólicas provocar a morte de Adalberto ainda jovem. Tornou-se viciado na bebida desde cedo e nunca mais parou.
Chegou ao hospital com uma crise irreversível e ali morrera.No velório só alguns amigos, também bebuns.
A noite, o corpo já enterrado, sua alma em desespero queria tirá-lo dali. Procurava cavar a sepultura, queria sair dali de qualquer forma. Por fim...
_ E aí galera posso fazer companhia a vocês? Perguntou Adalberto numa voz engrolada de quem “já estava pra lá de Bagdá”
_Quem é você? Perguntou Mário que parecia ser o líder daquele grupo, também com a voz já um bocado alterada pela bebida.
_ Eu, eu sou quem sou, que é que é? Podem me chamar de Adalberto.
_ Tá bem, tá bem, não precisa se alterar não; puxe uma cadeira e sente por aí, concordou Mário.
O Saralho naquela hora estava quase vazio, eram quase uma da madrugada.
Adalberto puxou uma cadeira e colocou-se entre dois outros também já bastante alterados. Garrafas de cerveja, vodka e gin estavam espalhadas pelo chão.
_ De onde você é Adalberto? Perguntou Victor.
_ Eu sou de lá, de lá.
_ De lá de onde? Insistiu Severino
_ De lá, de lá.
Vendo que não adiantava insistir não fizeram mais perguntas e trataram de continuar a beber e a contar piadas.
Lá para as três horas, todos mais bêbados que o costume Mario falou: pur hoje chega, vamo imbora.
_ Vou fazer xixi, volto já. Disse Adalberto levantando-se. Se equilibrando como podia dirigiu-se ao sanitário.
_Ó, Ó, Ó, Garçom, garçom, traga a conta, pediu Mario.
O funcionário pôs a conta em cima da mesa. Mario passou a analisá-la.
_ Essa conta tá errada; eu tô bêbo, mas não tô morto não. Ocê pôs mais cerveja na conta do que gastamos. Conte direito aí no chão, só tem vinte garrafas de cerveja e aqui tem vinte e cinco; tá querendo me ingrumpi? Vá dizê prô seu patrão que num sou bobo não.
O garçom envergonhado pegou a conta e voltou depois com outra com as quantidades corretas.
-E agora pessoal, quero vinte mangos de cada um; cadê Adalberto?
Nesse instante uma sombra fria, gelada mesmo, passa ao lado deles provocando um arrepio esquisito em todos. Alfredo foi ao sanitário procurar Adalberto.
_ Sumiu, o vagabundo. Gritou.
Naquele instante tiveram a consciência de que tinham passado a noite em companhia de uma alma penada. Apavorados, saíram às pressas dali cambaleando e tropeçando em tudo.
Alguns pararam de beber, outros nunca mais voltaram àquele lugar.
FIM
sábado, 19 de julho de 2008
O SUCUBO
O SUCUBO
Joaquim estava passeando sem rumo pela Av. São Luiz por volta das vinte e três horas. Pensava em sexo, buscava uma fêmea. Era um elemento bastante ativo nesta questão, bonitão, alto, moreno, sempre tinha alguma mulher a disposição mas por questões não muito claras, estava já há dois meses sem relações sexuais. Para um tipo ativo e namorador como ele, era uma situação que já beirava ao desespero. Jamais havia passado por tamanho vexame. Sempre evitara as prostitutas, mas do jeito que estava se dispunha dar em cima da primeira mulher que aparecesse, fosse o que fosse.
Assim, estava ele perambulando com os olhos acesos, olhando para todos os lados à caça de uma presa fácil, quando a pouca distância nota uma mulher parada à beira da calçada, aguardando um carro passar para atravessar a rua.
Aperta um pouco o passo e logo chega junto. Era uma mulher jovem, loura, muito bonita, toda vestida de preto. E ele adorava as mulheres de preto. Sempre achara que esta cor combinava muito com as mulheres, principalmente se eram claras e louras como aquela que estava agora ao seu lado.
A jovem correspondeu com um encantador sorriso ao cumprimento que o rapaz lhe fez e os dois iniciam o diálogo, próprio do velho jogo do amor em que uma das partes quer conquistar e a outra quer ser conquistada mas se faz de difícil. Por fim a outra parte cede, também ardente de secreto anseio.
Atravessam a rua e continuam a caminhar pela calçada sobre os assuntos comuns aos namorados, quando a jovem pára e abre um portão, convidando-o a entrar. Joaquim está com o coração aos pulos, afinal conquistara uma bela mulher e por fim iria quebrar o involuntário jejum. Entram, após alguns instantes estão os dois despidos deitados numa confortável cama, trocando juras de amor, num interminável colóquio amoroso. Por fim, consumado o ato sexual o jovem rola para o lado, feliz. A jovem entretanto continua insatisfeita e por diversas vezes incentiva o rapaz para novas atuações até que o vê totalmente sem condições de atuar mais, deixando-o então adormecer.
O jovem acorda sobressaltado com o sol a lhe bater no rosto, procura a companheira da noite e não encontra. Naquele instante, horrorizado, se dá conta de que está deitado sobre uma tumba, no cemitério da Consolação.
Levanta-se assustado e sai correndo despido, completamente desvairado pelo cemitério a fora, para onde tinha sido atraído por aquela alma também sedenta de sexo.
Durante um longo tempo passou a olhar para as mulheres com profunda desconfiança. A lembrança daquela noite ficara indelevelmente gravada em sua memória.
FIM
Joaquim estava passeando sem rumo pela Av. São Luiz por volta das vinte e três horas. Pensava em sexo, buscava uma fêmea. Era um elemento bastante ativo nesta questão, bonitão, alto, moreno, sempre tinha alguma mulher a disposição mas por questões não muito claras, estava já há dois meses sem relações sexuais. Para um tipo ativo e namorador como ele, era uma situação que já beirava ao desespero. Jamais havia passado por tamanho vexame. Sempre evitara as prostitutas, mas do jeito que estava se dispunha dar em cima da primeira mulher que aparecesse, fosse o que fosse.
Assim, estava ele perambulando com os olhos acesos, olhando para todos os lados à caça de uma presa fácil, quando a pouca distância nota uma mulher parada à beira da calçada, aguardando um carro passar para atravessar a rua.
Aperta um pouco o passo e logo chega junto. Era uma mulher jovem, loura, muito bonita, toda vestida de preto. E ele adorava as mulheres de preto. Sempre achara que esta cor combinava muito com as mulheres, principalmente se eram claras e louras como aquela que estava agora ao seu lado.
A jovem correspondeu com um encantador sorriso ao cumprimento que o rapaz lhe fez e os dois iniciam o diálogo, próprio do velho jogo do amor em que uma das partes quer conquistar e a outra quer ser conquistada mas se faz de difícil. Por fim a outra parte cede, também ardente de secreto anseio.
Atravessam a rua e continuam a caminhar pela calçada sobre os assuntos comuns aos namorados, quando a jovem pára e abre um portão, convidando-o a entrar. Joaquim está com o coração aos pulos, afinal conquistara uma bela mulher e por fim iria quebrar o involuntário jejum. Entram, após alguns instantes estão os dois despidos deitados numa confortável cama, trocando juras de amor, num interminável colóquio amoroso. Por fim, consumado o ato sexual o jovem rola para o lado, feliz. A jovem entretanto continua insatisfeita e por diversas vezes incentiva o rapaz para novas atuações até que o vê totalmente sem condições de atuar mais, deixando-o então adormecer.
O jovem acorda sobressaltado com o sol a lhe bater no rosto, procura a companheira da noite e não encontra. Naquele instante, horrorizado, se dá conta de que está deitado sobre uma tumba, no cemitério da Consolação.
Levanta-se assustado e sai correndo despido, completamente desvairado pelo cemitério a fora, para onde tinha sido atraído por aquela alma também sedenta de sexo.
Durante um longo tempo passou a olhar para as mulheres com profunda desconfiança. A lembrança daquela noite ficara indelevelmente gravada em sua memória.
FIM
sexta-feira, 18 de julho de 2008
VAMP
VAMP
Entrei no salão rodeada de uma aura de mistério ninguém me conhecia e eu estava deslumbrante Meu vestido de seda preto, brilhante, decotadisssimo, deixava entrever parte dos seios; uma abertura no vestido deixava á mostra parte de minhas coxas; meus cabelos negros compridos chegando quase à cintura, meus olhos também negros, hipnóticos eu era uma figura sensacional.
Os olhares cúpidos dos cavalheiros e furibundo das mulheres me causavam um prazer inusitado.
Estava sozinha naquele baile de debutantes, buscava algum homem para suprir minhas necessidades de energia vital.
Dancei com diversos, o cheiro do almíscar despertava a neles desejo de sexo. Por fim optei por um rapaz alto, robusto, louro de olhos azuis, o ideal para satisfazer minhas necessidades. Hipnotizei-o e saímos antes do baile terminar
Disse-me chamar-se Paulo e que era solteiro e morava com a mãe idosa.
Levei-o para casa numa cidade mais ou menos distante. Chegamos já de madrugada após algumas horas de viagem, minhas energias já estavam no limite, precisava urgentemente de recuperá-las. Orientei-o para tomar banho, enquanto também me preparava para o trabalho.
Meia hora após Paulo estava deitado impaciente, joguei-me em cima dele e procurei ajustar perfeitamente meus chacras com os dele, isso feito, por um processo secreto passei a sugar toda sua energia; uma hora após ele estava esgotado e eu plenamente revitalizada.
Passei toda uma semana com ele, a ponto de deixá-lo quase morto, por fim na última noite coloquei-o no carro e após rodar um bocado joguei-o inútil à beira da estrada.
Entrei no salão rodeada de uma aura de mistério ninguém me conhecia e eu estava deslumbrante Meu vestido de seda preto, brilhante, decotadisssimo, deixava entrever parte dos seios; uma abertura no vestido deixava á mostra parte de minhas coxas; meus cabelos negros compridos chegando quase à cintura, meus olhos também negros, hipnóticos eu era uma figura sensacional.
Os olhares cúpidos dos cavalheiros e furibundo das mulheres me causavam um prazer inusitado.
Estava sozinha naquele baile de debutantes, buscava algum homem para suprir minhas necessidades de energia vital.
Dancei com diversos, o cheiro do almíscar despertava a neles desejo de sexo. Por fim optei por um rapaz alto, robusto, louro de olhos azuis, o ideal para satisfazer minhas necessidades. Hipnotizei-o e saímos antes do baile terminar
Disse-me chamar-se Paulo e que era solteiro e morava com a mãe idosa.
Levei-o para casa numa cidade mais ou menos distante. Chegamos já de madrugada após algumas horas de viagem, minhas energias já estavam no limite, precisava urgentemente de recuperá-las. Orientei-o para tomar banho, enquanto também me preparava para o trabalho.
Meia hora após Paulo estava deitado impaciente, joguei-me em cima dele e procurei ajustar perfeitamente meus chacras com os dele, isso feito, por um processo secreto passei a sugar toda sua energia; uma hora após ele estava esgotado e eu plenamente revitalizada.
Passei toda uma semana com ele, a ponto de deixá-lo quase morto, por fim na última noite coloquei-o no carro e após rodar um bocado joguei-o inútil à beira da estrada.
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