SEVERINO
Eduardo Paes Ferreira Neto
O camburão da policia militar chegou à Praça do Comercio em Garanhuns.
A população ficou em polvorosa, o que viria fazer ali uma viatura destinada a presidiários? A curiosidade era geral. Os mais afoitos se aproximaram do veículo e inquiriram o motorista sobre sua finalidade.
Viemos buscar dois pacientes para o hospício em Recife. Por favor, onde mora o Sr. Severino da Silva?
_ Eu lhes levo lá, ofereceu-se um dos curiosos.
_ Tudo bem, suba aí.
_ Chegue-se um pouco para cá para o rapaz entrar, Antônio, pediu o
Cabo Manoel, o motorista.
O veículo sob a orientação de um dos curiosos tomou a direção da
casa de Severino.
A notícia espalhou-se e em minutos a rua estava cheia de pessoas de todas idades e condições sociais!.
O veículo chegou à casa do caboclo. A noticia chegara antes e ele já estava à porta esperando.
_ Senhor Severino da Silva? Perguntou o soldado.
_ Sim senhor, sim senhor!
O cabo tirou um papel da pasta e entregou-o a Severino, era a ordem para levar os pacientes para o Hospital da Tamarineira em Recife.
Severino pegou o papel, olhou, olhou e pediu para outra pessoa ler.
O número de pessoas aumentou à frente a casa. Conversavam
respeitosamente em voz baixa.
O dono da casa, afastando-se da porta pediu aos policiais para entrarem e descansar um pouco, enquanto ele iria preparar os pacientes para a viagem.
O tempo ia passando, ia passando e os curiosos não se afastavam.
Severino era um trabalhador rural, viúvo há já cinco anos, novo ainda, forte, musculoso, um tipo respeitado por todos os conhecidos que eram muitos. A finada esposa lhe deixara dois filhos que nasceram com deficiência mental e assim cresceram, estavam agora um com quatorze e outro com dezesseis anos. Enquanto Zefinha, a finada estava viva cuidava das crianças da melhor maneira possível, mas Severino sozinho, precisando cuidar da lavoura do patrão não podia lhes dar muita atenção e assim o tempo foi passando e a demência dos rapazes piorando. Chegou a um ponto que não dava mais para tê-los em casa. Os dois viviam brigando.
O posto de saúde da cidade cuidou das providências para a internação.
Três horas da tarde, o soldado Antônio sai da casa e vai abrir a porta do camburão. Severino e o cabo trazem s dois rapazes. Eles estão inquietos, nervosos, relutando a saírem, mas a um olhar mais severo dos adultos se deixam levar e entram na viatura. O soldado vai com eles para evitar problemas. O cabo tranca a porta do veículo e despede-se de Severino,
O camburão dá partida, Severino passa um pedaço de pano nos olhos para enxugar as lágrimas que não paravam de cair, consciente de que dificilmente voltaria a ver aqueles filhos que tanto amava. Ainda não havia cura para aquele tipo de demência.
Os vizinhos aproximavam-se e se solidarizavam com sua dor.
Passado algum tempo, cansado da solidão, logo se engraçou de Jacinta uma cabocla morena, bonita, cabelos lhe chegando à cintura, olhos também negros vivazes; mulher forte, trabalhadeira, com certeza boa parideira logo lhe daria uma ruma de filhos para ajudar na lavoura de subsistência da casa.
Com o ânimo um tanto quebrantado após a morte da Zefinha e o cuidado com os filhos agora era outro homem, estava mais disposto, revivera. Jacinta cuidava bem daquele homem e ele retribuía fartamente seus cuidados.
O casal era terrivelmente fértil, cinco anos após se juntarem já tinham seis filhos; em duas barrigadas nasceram gêmeos. E a vida seguia em frente indiferente a incapacidade financeira de Severino.
Uma família típica do sertão pernambucano.
FIM
quarta-feira, 25 de junho de 2008
FAMÍLIA DE SEU JOAQUIM
A FAMILIA DO SEU JOAQUIM
EDUARDO PAE FERREIRA NETTO
O expresso Recife-Maceió parou na estação Rio Largo; na rabeira dessa composição estava um vagão diferente com grades de ferro nas janelas, era dedicado à pessoas especiais ou condenados.
O guarda-freios aproximou-se e desatrelou-o. Uma locomotiva aproximou-se, engatou-o e o levou para o pátio de manobras, ficaria ali aguardando uma outra composição que viria logo mais e o levaria para longe.
Grande quantidade de homens, mulheres e crianças aproximou-se daquele estranho vagão. Aguardavam a chegada das pessoas que deveriam nele embarcar. Conversavam sobre a situação daquelas moradoras que o destino marcou com impiedoso desequilíbrio mental.
Eram pessoas queridas e respeitadas na região e aquela situação surgida ao longo de vários anos causava tristeza a quantos as conheciam
O Sr. Joaquim, chefe daquela família era um homem, robusto, sessentão de longa cabeleira e bastos bigode e barba. De bonachão que era, após vários anos de cuidados e sofrimentos com as duas mulheres, mãe e filha, tornou-se taciturno, pouco se lhe viam na praça do coreto onde antes de sua viuvez vinha com as três: esposa, mãe e filha ouvir as valsas e dobrados tocados pela “furiosa” do município.
Ao fim da tarde , Seu Joaquim de mãos dadas com as duas mulheres surgiu na esquina da rua em que moravam. A jovem gesticulava e em voz alta numa voz descontrolada falava algo indefinível. A velha com o olhar perdido no horizonte mexia a cabeça de um lado para um lado. Aproximavam-se da gare.
O trem do alto sertão parou na estação.
O maquinista da locomotiva a que estava engatado o vagão especial movimentou-se e foi atrelá-lo à composição recém-chegada..
A multidão locomoveu-se para a gare da estação, queria ver de perto o embarque das duas mulheres a guisa de despedida. Conversavam baixinho entre si, lamentando a situação daquela família, antes tão alegre e feliz.
O trio chegou à gare, um funcionário encaminhou-os ao vagão especial, já atrelado à composição.
Aquele homem robusto, taciturno, com lágrimas nos olhos entregou as mulheres ao funcionário. Sem qualquer reação elas o acompanharam. Sr.Mário, o funcionário após acomodá-las trancou a porta do vagão, deu um apito e o trem seguiu seu destino levando aquelas duas criaturas para o hospício estadual, de onde provavelmente nunca sairiam com vida.
Seu Joaquim permaneceu em pé na gare, os olhos cheios de lagrimas até o trem sumir na curva da estrada de ferro.
Os vizinhos se chegaram para consolá-lo com as expressões usuais.
Alguns meses após encontramos Seu Joaquim na praça do coreto de braços com uma mulher mais nova escutando o dobrado Saudades da Minah Terra.
EDUARDO PAE FERREIRA NETTO
O expresso Recife-Maceió parou na estação Rio Largo; na rabeira dessa composição estava um vagão diferente com grades de ferro nas janelas, era dedicado à pessoas especiais ou condenados.
O guarda-freios aproximou-se e desatrelou-o. Uma locomotiva aproximou-se, engatou-o e o levou para o pátio de manobras, ficaria ali aguardando uma outra composição que viria logo mais e o levaria para longe.
Grande quantidade de homens, mulheres e crianças aproximou-se daquele estranho vagão. Aguardavam a chegada das pessoas que deveriam nele embarcar. Conversavam sobre a situação daquelas moradoras que o destino marcou com impiedoso desequilíbrio mental.
Eram pessoas queridas e respeitadas na região e aquela situação surgida ao longo de vários anos causava tristeza a quantos as conheciam
O Sr. Joaquim, chefe daquela família era um homem, robusto, sessentão de longa cabeleira e bastos bigode e barba. De bonachão que era, após vários anos de cuidados e sofrimentos com as duas mulheres, mãe e filha, tornou-se taciturno, pouco se lhe viam na praça do coreto onde antes de sua viuvez vinha com as três: esposa, mãe e filha ouvir as valsas e dobrados tocados pela “furiosa” do município.
Ao fim da tarde , Seu Joaquim de mãos dadas com as duas mulheres surgiu na esquina da rua em que moravam. A jovem gesticulava e em voz alta numa voz descontrolada falava algo indefinível. A velha com o olhar perdido no horizonte mexia a cabeça de um lado para um lado. Aproximavam-se da gare.
O trem do alto sertão parou na estação.
O maquinista da locomotiva a que estava engatado o vagão especial movimentou-se e foi atrelá-lo à composição recém-chegada..
A multidão locomoveu-se para a gare da estação, queria ver de perto o embarque das duas mulheres a guisa de despedida. Conversavam baixinho entre si, lamentando a situação daquela família, antes tão alegre e feliz.
O trio chegou à gare, um funcionário encaminhou-os ao vagão especial, já atrelado à composição.
Aquele homem robusto, taciturno, com lágrimas nos olhos entregou as mulheres ao funcionário. Sem qualquer reação elas o acompanharam. Sr.Mário, o funcionário após acomodá-las trancou a porta do vagão, deu um apito e o trem seguiu seu destino levando aquelas duas criaturas para o hospício estadual, de onde provavelmente nunca sairiam com vida.
Seu Joaquim permaneceu em pé na gare, os olhos cheios de lagrimas até o trem sumir na curva da estrada de ferro.
Os vizinhos se chegaram para consolá-lo com as expressões usuais.
Alguns meses após encontramos Seu Joaquim na praça do coreto de braços com uma mulher mais nova escutando o dobrado Saudades da Minah Terra.
F I M
CARMA -LEI DE CAUSA E EFEITO
CARMA – LEI DE CAUSA E EFEITO
EDUARDO P. F. NETTO
NÃO BASTA INDA DE DOR Ó DEUS TERRÍVEL?!
É POIS, TEU PEITO ETERNO, INEXAURÍVEL
DE VINGANÇA E RANCOR?.
E QUE É QUE FIZ, SENHOR? QUE TORVO CRIME
EU COMETI JAMAIS QUE ASSIM ME OPRIME
TEU GLÀDIO VINGADOR?!
Castro Alves - Vozes d Àfrica
Tinha o poeta razão de assim vociferar contra Deus?
As igrejas cristãs manipuladas de acordo com os interesses do momento criou a imagem de um Deus realmente terrível que sem qualquer razão dá benesses a uns e sofrimentos incalculáveis a outros; faz nascer a uns em berços de ouro e a outros nas sarjetas.
Nos evangelhos cristãos há interpretações. conflitantes sobre seus textos, especialmente no que diz respeito à reencarnação. O versículo 3:3 de João, a nosso ver, não deixa dúvida com relação à reencarnação; reza ele: Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Há outros versículos sobre este assunto.
De acordo com as interpretações das entidades cristãs o poeta, a meu ver, até que teria razão de questionar o Criador.
O Kardecismo veio trazer a lume alguns dos ensinamentos dos grandes mestres anteriores a Jesus Cristo, tais como a reencarnação e a lei de casa e efeito(carma).
De uns vinte anos a esta parte surgiram várias religiões de origem oriental: Índia, Japão e China difundindo os ensinamentos da Vedanta e do Budismo, todas elas baseando seus ensinamentos nas leis do carma e da reencarnação, para justificar o sofrimento humano.
A base, entretanto de seus ensinamentos é despertar a criatura humana de sua natureza original de Filho de Deus e com isso a conscientização de sua Unidade com Ele: “Eu e o Pai somos um só”.
A Ioga é um dos instrumentos das religiões orientais mais conhecidos, especialmente pela Hata Ioga, entretanto essa técnica é apenas uma das partes dela. A Ioga global ou Raja Ioga compõe-se da Karma Yoga (Ioga da ação), da Jnani Yoga (A ioga da sabedoria) e da Bakti Yoga ( a Ioga devocional). Como vemos, cada uma destas partes atua individualmente nos três níveis: físico, mental e espiritual. Na Raja Ioga o devoto trabalha no sentido de desenvolver simultaneamente esses três níveis.
O Mahavatar Babaji deu a Raja Yoga a nova denominação de Kriya Yoga, adicionando aos antigos ensinamentos o conceito da unicidade das religiões e demonstrando em seus ensinamentos a perfeita concordância dos ensinamentos de Jesus Cristo e de Sri Krishna. Inúmeros textos bíblicos são cotejados com textos do Bagavad Gita (Canção do Senhor- texto religioso indu).
O livre arbítrio é uma característica exclusive do ser humano e é justamente o uso que fazemos desse livre arbítrio que nos leva a uma boa ou má reencarnação; aliás, pensando bem, não há uma boa encarnação propriamente dita, pois só voltamos a essa Terra para resgatar erros e aprender. O que dizemos ser uma boa encarnação é o fato de ter uma vida saudável, financeiramente estável, etc., mas toda ela sempre traz em seu bojo algum tipo de sofrimento. Sofre-se por um amor perdido, sofre-se porque o time de futebol não ganhou o campeonato; sofre-se porque perdeu o pai ou a mãe, sofre-se pela ingratidão de alguém, sofre-se por inveja ou porque se perdeu alguma coisa, por ter sido roubado, enganado, sofrido violência, etc. Toda vida do ser humano é marcada por algum tipo de sofrimento.
Deus não se vinga, não é cruel. O que há é a perfeita e justa lei de causa e efeito (carma): “não faças aos outros o que não queres que te façam”(Regra de Ouro do Confucionismo), “Quem com ferro fere com ferro será ferido”( Provérbio Popular), “O que aqui se faz, aqui se paga”(Provérbio Popular); O bem com o bem se paga (Provérbio Popular).
Às vezes esse resgate cármico se dá numa mesma encarnação, outras vezes nas encarnações seguintes. Pessoas nascerem cegas, deficientes, paupérrimas, escravas, etc. estão resgatando ações negativas de vidas anteriores. Há naturalmente casos e casos e, em verdade, cada caso é um caso. Não dá para generalizar quando se trata das coisas de Deus.
Certamente se nosso poeta tivesse conhecimento dessas leis não teria questionado nosso Criador. Sua compaixão pelo sofrimento dos povos do deserto africano e o trabalho em prol da libertação dos escravos no Brasil deve ter lhe proporcionado, quem sabe, a total libertação de seus carmas negativos e conseqüentemente a salvação de sua alma de escol.
FIM
terça-feira, 10 de junho de 2008
A Vidente- Segundo Capitulo
A VIDENTE
SEGUNDO CAPÍTULO
_ Alô... Mme Rosa?
_ Sim!
_ Gostaria de marcar uma consulta.
_ Pode ser na próxima quara feira _às 16h00?
_ Pode ser.
_ Por favor, dê-me seu nome e telefone.
_ Antonio Pedro Coutinho. Fone 8943-6745
_Tudo bem, está marcada.
Quarta feira, o consulente chegou pontualmente ao consultório de Mme Rosa.
_ Boa tarde madame.
_Boa tarde senhor Antonio, entre,
Ao apertar-lhe a mão a vidente sentiu um arrepio por todo o corpo. Acomodou o consulente e entregou-lhe a ficha da consulta para preenchimento. Enquanto isso passou a analisá-lo.
Era um tipo estranho, a fronte baixa, olhar de soslaio, nariz aquilino com ponta redonda, lábios finos, apertados e caído dos lados, todos os sinais de um tipo dissimulado, velhaco, ambicioso, orgulhoso, egoísta e cruel, certamente não iria lhe pedir boa coisa. Entidade de mundo astral inferior o acompanhava.
O consulente entregou-lhe o formulário.
_ Em que posso servi-lo, Sr. Antonio?
_ Tinha uma marcenaria bem movimentada no bairro, até que um tal de Dagoberto se instalou perto de mim e aí os serviços foram escasseando e meus fregueses desaparecendo.
_ E o que é que deseja que eu faça?
_Quero que ele sofra um acidente e fique paralítico sem poder trabalhar, assim meus fregueses voltarão a mim.
_ Meu caro, o senhor está mal informado sobre meus trabalhos. Eu não faço esse tipo de coisa. Posso lhe ajudar, talvez, tentando fazer com que alguns dos que se foram, voltem, mas essa maldade que está me pedindo, jamais, Isto é contra as leis de Deus. Se por acaso eu lhe atendesse estaria atraindo para mim e para o senhor um carma, certamente, terrível.
_ Não entendo esse negócio de carma o que quero é que esse sujeito, pelo menos, suma do bairro.
_A lei do carma é a lei de causa e efeito, quer dizer que tudo que fizer aos outros voltará para si é como uma bola jogada contra parede, ela voltará para si . O senhor gostaria de sofrer o que está desejando ao concorrente?
_ De jeito nenhum, de jeito nenhum!
_ Então, meu filho, precisa pensar noutra coisa.
_ Como pensar noutra coisa? Não faz mal não, eu quero mesmo é vê-lo sofrer desaparecer de minhas vistas.
_Lamento, mas não posso atendê-lo.
_ Eu preciso resolver esse problema, o que faço então?
_ Precisa modificar seu modo de ser. Sua clientela afastou-se porque não gosta de você e não por causa da concorrência. O Sr. Dagoberto é um artista, seu trabalho é de alto nível e ele oferece a seus clientes um tratamento diferenciado. O Senhor é orgulhoso e despótico, trata mal os clientes e como é o único no bairro cobra muito alto por seus serviços.
_ Eu preciso viver bem.
_ Senhor Antonio, aqui está seu dinheiro de volta. Já lhe disse que não
faço o tipo de serviço que deseja.
_ E o que é que eu faço?
_ Não faço a mínima idéia.
O marceneiro pegou o dinheiro e saiu aborrecido, soltando imprecações.
A vidente pôs num turíbulo uma combinação especial de incensos para limpar seu ambiente da influência deletéria deixada pela entidade companheira do consulente.
A noite diante de seu altar acendeu uma vela, pôs um combinação secreta de incensos, colocou água nova num vaso de cristal e num pires um punhado de sal, no centro uma estrela de cinco pontas. Acima do altar via-se a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo e de seu protetor espiritual.
Iniciou seu cerimonial com uma oração ao Supremo Criador, invocou a presença do mentor espiritual pedindo sua interferência para ajudar o marceneiro, livrando-o da influência da entidade maléfica. Feito isso passou a meditar. Uma hora depois deu por encerrada a cerimônia com oração de despedida e agradecimento a Deus, a Nosso Senhor Jesus Cristo e a seu mentor espiritual pela ajuda recebida.
O que se passou no mundo astral não se sabe, mas um mês após o marceneiro pediu para marcar nova consulta. Chegou mais humilde.
_ Então Sr. Antonio, o que tem para me dizer?
_ É parece que as coisas começaram a melhorar. Surgiram alguns clientes novos e tratei de melhorar meus preços e meu modo de atendê-los. Bem, e agora o que quer que devo fazer?
_ Procure o Sr. Dagoberto, converse com ele, torne-se seu amigo, você tem muito o que aprender com ele.
Mme Rosa ainda por cerca de meia hora manteve o marceneiro envolvido numa aura de luz enquanto o orientava no sentido de melhorar seu relacionamento com as pessoas.
Num misto de recusa e aceitação dos conselhos da vidente, pagou-lhe a quantia estipulada e regressou à casa com a cabeça cheia, porém com o ânimo renovado.
Um mês inteiro relutou em procurar o concorrente, apesar dos sonhos induzidos a noite pela vidente cujo trabalho não terminara com a conclusão da consulta. Nesses sonhos ele se via dialogando amistosamente com o Dagoberto que lhe ensinava novas técnicas de trabalho e de administração.
Certo dia saiu a fazer compras na cidade e encontrou o concorrente no estabelecimento de seu fornecedor de madeiras. Dagoberto, reconhecendo-o aproximou-se e cumprimentou-o amistosamente. Dali para frente ambos mantiveram uma amizade muito proveitosa para ambos.
Antonio chegou a conclusão de que o Dagoberto não lhe fazia concorrência, pois a clientela dele era de alto nível, só trabalhava com móveis de luxo.
Antonio melhorou a aparência de sua marcenaria, o preço de seus trabalhos e o modo de tratar seus clientes. A situação começou a melhorar e em tempo relativamente curto obteve um desenvolvimento bastante apreciável.
Mme. Rosa, após verificar essa mudança na vida do Sr. Antonio, deu por encerrada sua consulta, consciente de ter cumprido mais uma vez sua missão de disseminar entre seus consulentes:
AMOR E LUZ
SEGUNDO CAPÍTULO
_ Alô... Mme Rosa?
_ Sim!
_ Gostaria de marcar uma consulta.
_ Pode ser na próxima quara feira _às 16h00?
_ Pode ser.
_ Por favor, dê-me seu nome e telefone.
_ Antonio Pedro Coutinho. Fone 8943-6745
_Tudo bem, está marcada.
Quarta feira, o consulente chegou pontualmente ao consultório de Mme Rosa.
_ Boa tarde madame.
_Boa tarde senhor Antonio, entre,
Ao apertar-lhe a mão a vidente sentiu um arrepio por todo o corpo. Acomodou o consulente e entregou-lhe a ficha da consulta para preenchimento. Enquanto isso passou a analisá-lo.
Era um tipo estranho, a fronte baixa, olhar de soslaio, nariz aquilino com ponta redonda, lábios finos, apertados e caído dos lados, todos os sinais de um tipo dissimulado, velhaco, ambicioso, orgulhoso, egoísta e cruel, certamente não iria lhe pedir boa coisa. Entidade de mundo astral inferior o acompanhava.
O consulente entregou-lhe o formulário.
_ Em que posso servi-lo, Sr. Antonio?
_ Tinha uma marcenaria bem movimentada no bairro, até que um tal de Dagoberto se instalou perto de mim e aí os serviços foram escasseando e meus fregueses desaparecendo.
_ E o que é que deseja que eu faça?
_Quero que ele sofra um acidente e fique paralítico sem poder trabalhar, assim meus fregueses voltarão a mim.
_ Meu caro, o senhor está mal informado sobre meus trabalhos. Eu não faço esse tipo de coisa. Posso lhe ajudar, talvez, tentando fazer com que alguns dos que se foram, voltem, mas essa maldade que está me pedindo, jamais, Isto é contra as leis de Deus. Se por acaso eu lhe atendesse estaria atraindo para mim e para o senhor um carma, certamente, terrível.
_ Não entendo esse negócio de carma o que quero é que esse sujeito, pelo menos, suma do bairro.
_A lei do carma é a lei de causa e efeito, quer dizer que tudo que fizer aos outros voltará para si é como uma bola jogada contra parede, ela voltará para si . O senhor gostaria de sofrer o que está desejando ao concorrente?
_ De jeito nenhum, de jeito nenhum!
_ Então, meu filho, precisa pensar noutra coisa.
_ Como pensar noutra coisa? Não faz mal não, eu quero mesmo é vê-lo sofrer desaparecer de minhas vistas.
_Lamento, mas não posso atendê-lo.
_ Eu preciso resolver esse problema, o que faço então?
_ Precisa modificar seu modo de ser. Sua clientela afastou-se porque não gosta de você e não por causa da concorrência. O Sr. Dagoberto é um artista, seu trabalho é de alto nível e ele oferece a seus clientes um tratamento diferenciado. O Senhor é orgulhoso e despótico, trata mal os clientes e como é o único no bairro cobra muito alto por seus serviços.
_ Eu preciso viver bem.
_ Senhor Antonio, aqui está seu dinheiro de volta. Já lhe disse que não
faço o tipo de serviço que deseja.
_ E o que é que eu faço?
_ Não faço a mínima idéia.
O marceneiro pegou o dinheiro e saiu aborrecido, soltando imprecações.
A vidente pôs num turíbulo uma combinação especial de incensos para limpar seu ambiente da influência deletéria deixada pela entidade companheira do consulente.
A noite diante de seu altar acendeu uma vela, pôs um combinação secreta de incensos, colocou água nova num vaso de cristal e num pires um punhado de sal, no centro uma estrela de cinco pontas. Acima do altar via-se a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo e de seu protetor espiritual.
Iniciou seu cerimonial com uma oração ao Supremo Criador, invocou a presença do mentor espiritual pedindo sua interferência para ajudar o marceneiro, livrando-o da influência da entidade maléfica. Feito isso passou a meditar. Uma hora depois deu por encerrada a cerimônia com oração de despedida e agradecimento a Deus, a Nosso Senhor Jesus Cristo e a seu mentor espiritual pela ajuda recebida.
O que se passou no mundo astral não se sabe, mas um mês após o marceneiro pediu para marcar nova consulta. Chegou mais humilde.
_ Então Sr. Antonio, o que tem para me dizer?
_ É parece que as coisas começaram a melhorar. Surgiram alguns clientes novos e tratei de melhorar meus preços e meu modo de atendê-los. Bem, e agora o que quer que devo fazer?
_ Procure o Sr. Dagoberto, converse com ele, torne-se seu amigo, você tem muito o que aprender com ele.
Mme Rosa ainda por cerca de meia hora manteve o marceneiro envolvido numa aura de luz enquanto o orientava no sentido de melhorar seu relacionamento com as pessoas.
Num misto de recusa e aceitação dos conselhos da vidente, pagou-lhe a quantia estipulada e regressou à casa com a cabeça cheia, porém com o ânimo renovado.
Um mês inteiro relutou em procurar o concorrente, apesar dos sonhos induzidos a noite pela vidente cujo trabalho não terminara com a conclusão da consulta. Nesses sonhos ele se via dialogando amistosamente com o Dagoberto que lhe ensinava novas técnicas de trabalho e de administração.
Certo dia saiu a fazer compras na cidade e encontrou o concorrente no estabelecimento de seu fornecedor de madeiras. Dagoberto, reconhecendo-o aproximou-se e cumprimentou-o amistosamente. Dali para frente ambos mantiveram uma amizade muito proveitosa para ambos.
Antonio chegou a conclusão de que o Dagoberto não lhe fazia concorrência, pois a clientela dele era de alto nível, só trabalhava com móveis de luxo.
Antonio melhorou a aparência de sua marcenaria, o preço de seus trabalhos e o modo de tratar seus clientes. A situação começou a melhorar e em tempo relativamente curto obteve um desenvolvimento bastante apreciável.
Mme. Rosa, após verificar essa mudança na vida do Sr. Antonio, deu por encerrada sua consulta, consciente de ter cumprido mais uma vez sua missão de disseminar entre seus consulentes:
AMOR E LUZ
sexta-feira, 6 de junho de 2008
A Vidente- Capítulo 1
A VIDENTE
EDUARDO PAES FERREIRA NETTO
CAPÍTULO PRIMEIRO
Estamos numa sala reservada à consultas esotéricas. Mme Rosa, aliás, D. Maria Belarmina da Silva aguardava uma consulente. Viúva do Dr, Marcelo, dedicava-se honestamente à profissão de consultora espiritual servindo-se de diversas faculdades sobrenaturais a fim de complementar a pensão deixada pelo finado.
Senhora de gosto refinado, em seus sessenta e cinco ano de vida jamais tivera necessidade de trabalhar fora de casa. Matrona bonita de estatura média, cabelos já brancos, olhos negros; os dois sulcos verticais entre as sobrancelhas indicavam pessoa dedicada à reflexão e meditação profundas. Seus lábios iguais, unidos sem se comprimirem diziam de seu caráter honesto e fiel
Sua sala, antes dedicada a receber suas amigas era agora consultório espiritual. Mandalas e quadros com figuras de mestres das mais variadas linhas do mundo oculto ornavam suas paredes. No centro uma mesa retangular sobre ela uma bola de cristal, ao lado diversos tarôs.
A campanhia informa a chegada da consulente. Recebe-a com um cumprimento à moda indiana e convida-a a entrar.
Acomoda-a diante da mesa e senta-se à sua frente. Dá-lhe uma ficha para preencher com seus dados e do companheiro.
Enquanto a consulente preenche a ficha passa a analisá-la.
Não é uma mulher bonita, tem a pele clara, cabelos louros, olhos azuis; o lábio inferior grosso indicava uma mulher sensual, gulosa e amante dos prazeres; seu nariz pontudo e arqueado pessoa faladora, de má língua e inconstante; os lábios grossos e carnosos dizia-lhe sensual, gulosa e mentirosa.
Concluído o preenchimento entrega-a a Mme. Rosa que não lhe dá atenção, já sabe com quem lida.
_ D. Tereza em que posso ajuda-la?
_ Sabe o que é madame, é que meu companheiro está ameaçando se separar de mim. Veja, já estamos juntos a seis anos, tenho dado a ele todo meu amor, meu carinho e um filho maravilhoso. Arrumou uma sirigaita e quer me abandonar.
_ Como tem sido a vida de vocês nesses anos?
_ Não posso dizer que tenham sido maravilhosos, mas foram toleráveis. Tenho procurado ser uma boa companheira, mas não quer se casar comigo e agora essa mulher!
_ Por favor, D. Tereza, feche os olhos, ponha as mãos sobre as coxas e procure mentalizar seu companheiro!
A vidente também fecha os olhos e procura ler no astral a vida pregressa do casal. Em alguns instantes várias cenas surgem em sua mente; a consulente não é tão boa como diz;: mentirosa, faladeira, vez por outra entra em choque com os vizinhos, obrigando o companheiro a intervir; amante dos prazeres sensuais obriga-o a semanalmente a programas nem sempre muito baratos de shows, baladas e restaurantes comprometendo o orçamento familiar, o que a obriga a trabalhar, costureira que é, numa industria de vestuário; excessivamente sensual na cama não dá folga ao companheiro, deixando-o via de regra totalmente esgotado.
A consulente também está “vendo” todas essas cenas.
_ Então minha filha, o que você me diz disso tudo?
_ Precisamos gozar a vida não é Mme Rosa?
_ Você acha que falar mal dos outros, jogar uns contra outros, mentir descaradamente e se dedicar a prazeres sensuais sem limitações é um bom meio de gozar a vida?
_ Mas eu sou uma pessoa boa madame!
_ Desculpe minha franqueza D. Tereza, não é sem razão que seu companheiro queira se separar. Ele deve estar cansado de suas mentiras e seus prazeres extravagantes, e posso lhe dizer até que agüentou muito.
_ A senhora está sendo muito cruel comigo madame. Eu amo esse homem e o quero só para mim.
_ E o que você quer que eu faça?
_ A senhora tem fama de arrumar direitinho essas coisas. Faça com que o Severino me ame e não me abandone.
_ Muito bem, mas ha um preço alto a pagar.
_ Pago o que me pedir.
_ Não é apenas em dinheiro, isso é o de menos, mas você terá de mudar de comportamento.
_ Como assim?
_ Deverá refrear sua língua, parar as festanças e cuidar de se dedicar mais ao lar; deixar de lado os romances baratos e buscar numa religião e no serviço ao próximo a penitência de tantos erros.
_ Isso vai ser muito difícil.
_ Eu sei, mas se você quiser o Severino de volta esse será o preço.
_ Puxa vida!
_ De minha parte estarei trabalhando no mundo oculto para ajudá-la, o sucesso do meu trabalho depende de você fazer sua parte.
D. Tereza saiu do consultório com as orelhas pegando fogo. Que fazer, renunciar a seus prazeres, ter uma religião? Não vai dar não!
A vidente cobrava muito alto por suas consultas, mas seu trabalho não acabava ali.
A noite voltou ao consultório, deitou-se num divã, desdobrou seu corpo astral e foi à casa de Tereza, encontrou-a dormindo agarrada ao companheiro que roncava ao lado. Passou a lhe induzir um sonho no qual se via feliz com o companheiro e o filhinho num parque de diversões. Severino olhava carinhosamente para ela e o filhinho. Ela se sentia também muito feliz.
Fez a mesma coisa com o Severino.
Pela manhã D. Tereza acordou um tanto diferente do costume. Ao invés das imprecações contra as vizinhas achava-se calma e pensativa. O companheiro também, mas nenhum tocou no assunto dos sonhos.
Nos dias seguintes os sonhos se repetiram com outros cenários: jardim zoológico; jardim botânico, museus e assim se passaram várias semanas. Já se notavam diferenças no comportamento de ambos, mas não comentavam os sonhos entre si.
_ Severino, meu bem, o que acha de levarmos Ricardinho ao zoológico no domingo?
Severino quase caiu da cadeira. Tereza nunca havia cogitado de tal coisa.
- É, é, é uma boa idéia.
No domingo a família foi ao zoológico. As cenas dos sonhos se repetiam na vida real.
Aos poucos as coisas foram se modificando. Tereza estava conhecendo uma nova vida, já
não era a mulher faladeira e mentirosa, Severino esqueceu a sirigaita e a família passou a ter uma vida mais feliz e equilibrada.
EDUARDO PAES FERREIRA NETTO
CAPÍTULO PRIMEIRO
Estamos numa sala reservada à consultas esotéricas. Mme Rosa, aliás, D. Maria Belarmina da Silva aguardava uma consulente. Viúva do Dr, Marcelo, dedicava-se honestamente à profissão de consultora espiritual servindo-se de diversas faculdades sobrenaturais a fim de complementar a pensão deixada pelo finado.
Senhora de gosto refinado, em seus sessenta e cinco ano de vida jamais tivera necessidade de trabalhar fora de casa. Matrona bonita de estatura média, cabelos já brancos, olhos negros; os dois sulcos verticais entre as sobrancelhas indicavam pessoa dedicada à reflexão e meditação profundas. Seus lábios iguais, unidos sem se comprimirem diziam de seu caráter honesto e fiel
Sua sala, antes dedicada a receber suas amigas era agora consultório espiritual. Mandalas e quadros com figuras de mestres das mais variadas linhas do mundo oculto ornavam suas paredes. No centro uma mesa retangular sobre ela uma bola de cristal, ao lado diversos tarôs.
A campanhia informa a chegada da consulente. Recebe-a com um cumprimento à moda indiana e convida-a a entrar.
Acomoda-a diante da mesa e senta-se à sua frente. Dá-lhe uma ficha para preencher com seus dados e do companheiro.
Enquanto a consulente preenche a ficha passa a analisá-la.
Não é uma mulher bonita, tem a pele clara, cabelos louros, olhos azuis; o lábio inferior grosso indicava uma mulher sensual, gulosa e amante dos prazeres; seu nariz pontudo e arqueado pessoa faladora, de má língua e inconstante; os lábios grossos e carnosos dizia-lhe sensual, gulosa e mentirosa.
Concluído o preenchimento entrega-a a Mme. Rosa que não lhe dá atenção, já sabe com quem lida.
_ D. Tereza em que posso ajuda-la?
_ Sabe o que é madame, é que meu companheiro está ameaçando se separar de mim. Veja, já estamos juntos a seis anos, tenho dado a ele todo meu amor, meu carinho e um filho maravilhoso. Arrumou uma sirigaita e quer me abandonar.
_ Como tem sido a vida de vocês nesses anos?
_ Não posso dizer que tenham sido maravilhosos, mas foram toleráveis. Tenho procurado ser uma boa companheira, mas não quer se casar comigo e agora essa mulher!
_ Por favor, D. Tereza, feche os olhos, ponha as mãos sobre as coxas e procure mentalizar seu companheiro!
A vidente também fecha os olhos e procura ler no astral a vida pregressa do casal. Em alguns instantes várias cenas surgem em sua mente; a consulente não é tão boa como diz;: mentirosa, faladeira, vez por outra entra em choque com os vizinhos, obrigando o companheiro a intervir; amante dos prazeres sensuais obriga-o a semanalmente a programas nem sempre muito baratos de shows, baladas e restaurantes comprometendo o orçamento familiar, o que a obriga a trabalhar, costureira que é, numa industria de vestuário; excessivamente sensual na cama não dá folga ao companheiro, deixando-o via de regra totalmente esgotado.
A consulente também está “vendo” todas essas cenas.
_ Então minha filha, o que você me diz disso tudo?
_ Precisamos gozar a vida não é Mme Rosa?
_ Você acha que falar mal dos outros, jogar uns contra outros, mentir descaradamente e se dedicar a prazeres sensuais sem limitações é um bom meio de gozar a vida?
_ Mas eu sou uma pessoa boa madame!
_ Desculpe minha franqueza D. Tereza, não é sem razão que seu companheiro queira se separar. Ele deve estar cansado de suas mentiras e seus prazeres extravagantes, e posso lhe dizer até que agüentou muito.
_ A senhora está sendo muito cruel comigo madame. Eu amo esse homem e o quero só para mim.
_ E o que você quer que eu faça?
_ A senhora tem fama de arrumar direitinho essas coisas. Faça com que o Severino me ame e não me abandone.
_ Muito bem, mas ha um preço alto a pagar.
_ Pago o que me pedir.
_ Não é apenas em dinheiro, isso é o de menos, mas você terá de mudar de comportamento.
_ Como assim?
_ Deverá refrear sua língua, parar as festanças e cuidar de se dedicar mais ao lar; deixar de lado os romances baratos e buscar numa religião e no serviço ao próximo a penitência de tantos erros.
_ Isso vai ser muito difícil.
_ Eu sei, mas se você quiser o Severino de volta esse será o preço.
_ Puxa vida!
_ De minha parte estarei trabalhando no mundo oculto para ajudá-la, o sucesso do meu trabalho depende de você fazer sua parte.
D. Tereza saiu do consultório com as orelhas pegando fogo. Que fazer, renunciar a seus prazeres, ter uma religião? Não vai dar não!
A vidente cobrava muito alto por suas consultas, mas seu trabalho não acabava ali.
A noite voltou ao consultório, deitou-se num divã, desdobrou seu corpo astral e foi à casa de Tereza, encontrou-a dormindo agarrada ao companheiro que roncava ao lado. Passou a lhe induzir um sonho no qual se via feliz com o companheiro e o filhinho num parque de diversões. Severino olhava carinhosamente para ela e o filhinho. Ela se sentia também muito feliz.
Fez a mesma coisa com o Severino.
Pela manhã D. Tereza acordou um tanto diferente do costume. Ao invés das imprecações contra as vizinhas achava-se calma e pensativa. O companheiro também, mas nenhum tocou no assunto dos sonhos.
Nos dias seguintes os sonhos se repetiram com outros cenários: jardim zoológico; jardim botânico, museus e assim se passaram várias semanas. Já se notavam diferenças no comportamento de ambos, mas não comentavam os sonhos entre si.
_ Severino, meu bem, o que acha de levarmos Ricardinho ao zoológico no domingo?
Severino quase caiu da cadeira. Tereza nunca havia cogitado de tal coisa.
- É, é, é uma boa idéia.
No domingo a família foi ao zoológico. As cenas dos sonhos se repetiam na vida real.
Aos poucos as coisas foram se modificando. Tereza estava conhecendo uma nova vida, já
não era a mulher faladeira e mentirosa, Severino esqueceu a sirigaita e a família passou a ter uma vida mais feliz e equilibrada.
terça-feira, 3 de junho de 2008
O Reino a Paz Celestial-Completo
O REINO DA PAZ CELESTIAL
CAPÍTULO PRIMEIRO
Era grande a azáfama naquele mosteiro dedicado á Divina Mãe. Monges e discípulos se movimentavam, cada qual se dedicando a seus afazeres.
O Sol havia hà pouco despertado de seu letargo.
Aproxima-se um cidadão de aparência chinesa puxando um garotinho pela mão. Entrega-o a um dos monges que veio recebê-los, dá as costas e vai embora. O garotinho chora, pede inutilmente para o pai voltar
Esta não é um cena incomum. Muito dos monges daquele mosteiro tiveram esse tipo de origem. Os pais pobres, em geral, já com muitos filhos entrega-os a um mosteiro.
Li Po foi recebido e passou a fazer parte das atividades do mosteiro com vários outros. Apesar de muito franzino e desnutrido era muito vivaz; aprendia rapidamente as lições e práticas espirituais que lhe indicavam. Aos poucos foi melhorando sua aparência e em pouco tempo já era um garoto forte e robusto. Sua dedicação era impar tanto nos trabalhos comuns como nos estudos e rituais do templo.
Festa no mosteiro, Li Po completara a idade adequada para ir em busca do Reino da Paz Celestial, como ali no mosteiro definiam a conquista da Consciência da Unidade com o Supremo Criador..
Um oráculo indicava se o discípulo tinha potencial para tal.
No auge da celebração, o Guru Sri Swami Siddhananda chamou Li Po e informou-lhe que deveria sair em busca daquele ideal maior.
Abalado ante a expectativa de deixar a vida despreocupada do mosteiro o rapaz nada disse, reverenciou o superior e foi se juntar aos demais. Sua mente, entretanto estava em efevercência, não se julgava capaz para tanto e nem queria enfrentar o desconhecido.
No dia seguinte procurou o Guru e informou-o que não tinha condições psicológicas e espirituais para a tarefa.
Bondosamente o guru pôs a mão sobre sua cabeça e o discípulo viu passar em na visão interior sua vida passada em que tinha sido um devoto especial da Mãe Divina e em seguida projetou seu futuro como um ser, dotado de grande sabedoria e poderes extraordinários após sua busca.
A noite, ainda sob o impacto daquelas visões Li Po decidiu partir.
Pela manhã iniciou sua peregrinação em busca do Reino da Paz Celestial, levando consigo apenas as roupas do corpo, bastão e a tigela de mendicante.
Dormia sob as árvores do caminho se não encontrava alguma alma piedosa que lhe desse abrigo.
A lua cheia já surgira várias vezes, quando certo dia à distância viu um castelo no alto de um morro. Mais animado ante a perspectiva de logo alcançá-lo seguiu por um caminho de pedras ladeado por centenárias árvores. Uma bica encravada num rochedo deixava cair um filete de água cristalina., aproximou-se e com as mãos em concha bebeu um pouco. Lavou-se ligeiramente e as roupas e por fim deitou-se à sombra das árvores para descansar enquanto as vestes enxugavam ao sol.
Já tardinha acordou; o cansaço o vencera e dormira mais que o desejado. Vestiu rapidamente as roupas enxutas e seguiu às pressas para o castelo onde chegou esbaforido às suas portas que se abriram misteriosamente.
LI Po foi recebido por uma jovem morena, esguia, de cabelos e olhos negros que em silêncio pediu-lhe para segui-la. Questionada informou-o chamar-se Jade, mas continuou em silêncio.
Foi levado por extenso corredor a enorme aposento, em outro ao lado um "ofurô" o esperava convidativo. Jade orientou-o para após o banho vestir novas roupas e se preparar para o jantar que logo lhe seria servido..
Encantado, tirou as vestes e jogou-as num cesto, entrando em seguida na piscina quente. Ficou alguns minutos gozando daquele banho. Saiu, enxugou-se e vestiu as novas roupas encontradas num armário.
Leve batida à porta; Jade e algumas serviçais entraram com bandejas, trazendo deliciosas iguarias, colocando-as delicadamente numa mesa baixa.. As serviçais saíram.
Jade tocou uma sineta e logo entrou um grupo de moças que ao som de uma música invisível iniciaram uma dança de extrema beleza.
Compunha-se o jantar de arroz e uma mistura de delicioso sabor que ele jamais havia provado. Acompanhava-o uma jarra de chá, também desconhecido.
A fome era tanta que não lhe permitia questionar, além de que, sua condição de mendicante nada lhe permitia recusar. O ensinamento era taxativo: qualquer alimento recebido não é matéria mas a manifestação do amor dos doadores.
_ Se desejar ler ou orar antes de dormir, há um pequeno oratório ao lado e livros na mesa de cabeceira. Às 4,30 horas tocará um sino, convidando às orações, informou a jovem, retirando-se.
Li Pó escolheu um livro e começou a folheá-lo, absorvendo-se na leitura.
Música de suavíssimos acordes invadiu o ambiente, inebriando o discípulo de felicidade . O sino tocou mais uma vez. Era hora de encerrar as atividades do dia. Li Po pôs o livro sobre a mesinha , dirigiu-se ao oratório para suas preces; uma hora de meditação, leitura de sutras, recitação de mantras e foi dormir, agradecendo mais uma vez à Divina Mãe por lhe proporcionar tamanha felicidade.
O sino tocou pontualmente. Li Po levantou-se. fez sua higiene pessoal; procurou no armário uma veste adequada, enfiou os pés num chinelo novo e preparou-se para sair.
Mais um leve toque na porta; Jade veio buscá-lo .
O templo era majestoso. Ao oriente, um altar composto por três mesas em diferentes níveis de altura, sobre elas oferendas:: flores, frutas, incensos,velas. Acima do altar uma estátua de ouro da Mãe Divina.
Li Po foi colocado numa almofada, onde sentou-se em postura de lótus em meio a uma centena de outros discípulos. Estava mudo, encantado com tanta beleza.
Nas paredes laterais, afrescos contando episódios da vida do Bhagavan Sri Krishna; no teto os diversos mistérios da vida e da morte. Li Po estava boquiaberto, extasiado.
Três leves batidas de um gongo; abrem-se as cortinas da entrada do templo deixando passar um cortejo de anciões que em passos solenes dirigiram-se ao altar. Música celestial acompanha seus passos. Os discípulos, antes acomodados, levantaram-se e curvaram-se à sua passagem
Diante do altar cada componente do cortejo fez as reverências rituais e dirigiu-se para um lado; todos posicionados fizeram novas reverências e sentaram-se.
Um oficiante dirigiu-se à frente do altar fez novas reverências e iniciou o cerimonial e por fim a recitação de mantras acompanhado por todos em voz alta.
Terminada a cerimônia dirigiram-se ao refeitório. O desjejum era um mingau de cereais, pão e chá. Durante a refeição um discípulo lia em voz alta um sutra no qual se afirmava: a vacuidade da matéria.
Ao término um instrutor orientou Li Po sobre as regras e os trabalhos do templo, convidando-o a acompanhá-lo, o que fez alegremente, pois estava muito feliz por ter encontrado afinal o Reino da Paz Celestial que tanto buscava. Agora já não havia mais necessidade de busca, tinha realizado seu ideal.
Entregou-se toda aquela manhã aos trabalhos que lhes foram indicados, em companhia de outros discípulos. Apenas o ruído dos instrumentos cavoucando a terra ouvia-se naquela área de trabalho.
Almoçou, descansou um pouco e voltou ao trabalho. No fim do dia, banho, jantar, oração até às vinte e duas e horas e por fim um sono reparador. Estava um tanto cansado é certo, mas feliz. Acabaram-se seus cuidados.
Assim se passaram trinta dias. entre trabalho, estudos e meditação em companhia dos monges que lhes proporcionaram profundo aprendizado, entremeado com audições musicais e espetáculos teatrais e de danças, tudo com profundo significado filosófico ou religioso
Li Po após suas orações deitou-se, dormiu e sonhou com deuses e anjos, gozando as delícias do paraíso que havia encontrado. Acordou à hora do costume e ficou aguardando deitado a chamada do sino.
O sol já ia bem alto quando resolveu se levantar; assustado; olhou para um lado, para outro, nada viu além da campina verdejante . O castelo havia sumido como por encanto.
Por entre a relva da campina, apenas uma estreita trilha indicava o caminho a seguir.
CAPÍTULO SEGUNDO
Sentou-se em postura de lótus, olhou a campina estendida a perder de vista. Orou pedindo ânimo para continuar .
Minutos após sentindo-se revigorado reiniciou a marcha. A noite já se avizinhava, um povoado surgiu à distância: casas, estabelecimentos , ruas limpas, iluminação. Seguiu desejando encontrar onde passar a noite.
No fim da rua uma praça, uma fonte e um templo. Aproximou-se da fonte desejando lavar-se.
O vigilante ao vê-lo se aproximando com visível intenção de se lavar tratou de impedi-lo; ao chegar mais perto viu que não se tratava de um mendigo, mas de monge mendicante, ser respeitado e venerado na região. Encaminhou-o ao templo entregando-o a um monge .
-Namastê, meu irmão..
_Namastê, venerável. Pode me dar abrigo por esta noite?
_ Certamente meu irmão, venha, vou apresentá-lo ao nosso Rimpoche, o monge Saddhananda
Feita a apresentação retirou-se, deixando-os a sós.
Li Po passou a relatar sua missão e os eventos do caminho
Monge mendicante na cidade era motivo de festas. Li Po foi convidado a permanecer na cidade. O Rimpoche já idoso buscava substituto. Li Po declinou do convite; não estava preparado, não encontrara ainda o Reino, mas concordara em passar alguns dias ajudando e incentivando os jovens.
O Rimpoche tocou uma sineta; uma jovem veio atendê-lo..
_ Mauri, este jovem monge vai passar alguns dias conosco, acomode-o adequadamente.
A jovem acomodou-o num aposento bastante amplo e confortável.
_ No fim do corredor tem uma sala de banhos, informou a jovem. No armário tem novos trajes. Quando estiver pronto toque a sineta que está sobre a mesa. Dito isso saiu, deixando Li Po pensando se não seria uma outra visão como aquela do castelo.
_Bem, agora vamos jantar, convidou-o ao atender a sineta..
Limpo e com roupa nova Li Po agradecido acompanhou-a ao refeitório.
Um sino anunciou a hora dos trabalhos noturnos do templo..
Residentes já se encontravam acomodados. Li Pó ocupou um lugar e passou a meditar. Horas de meditação, leitura de sutras e recitação de mantras.
No quarto Li Po acomodou-se confortavelmente, com cama e mantas limpas, coisas raras para ele Fez suas orações usuais e dormiu.
Na noite do terceiro Li Pó, em seu quarto, concentrado em sua oração sentiu mãos suaves, perfumadas afagando-lhe o rosto e um corpo macio, quente, contra suas costas Assustado, levantou-se e se deparou com Mauri, despida dizendo-se apaixonada, implorava por seu amor; expulsou-a do quarto.
Não pôde continuar sua meditação, tampouco conseguiu dormir. O corpo reagia de forma estranha aos pensamentos que vagavam num turbilhão incessante.
O sino tocou chamando para os trabalhos matutinos.
Anoiteceu, o visitante entregou-se a prática da Hata Yoga, queria apagar o fogo ateado por Mauri, a jovem discípula com uma pele azeitonada, olhos e cabelos negros, o corpo com contornos bem acentuados, era uma mulher muito bonita.
Uma hora de exercício, deitou-se para dormir. Pela madrugada Mauri, inconformada com a recusa de Li Po fez mais uma tentativa.. Chegou de mansinho e deitou-se a seu lado. O desejo explodiu irresistível. Li Po virou-se e se viu fortemente abraçado pela jovem, seu corpo vibrava, todo seu ser ansiava pelo desconhecido.
Uma visão fortuita de seu guru alertou-o do perigo, levantou-se violentamente e mais uma vez pôs a jovem fora o quarto
_Venerável, devo continuar meu caminho, muito obrigado por sua generosidade, mas devo partir.
_ Lamento, gostaria que permanecesse aqui conosco, mas se tem de ir vá com minhas bênçãos.
Ao colocar a mão sobre a cabeça do discípulo para abençoa-lo o superior viu em sua visão interior a cena na qual Mauri tentara inutilmente desviá-lo do caminho. Compreendeu a decisão do rapaz e deu-lhe sua bênção, louvando-lhe a vitória contra a tentação.
_ Meu filho, siga sempre em direção ao oriente em alguns dias ao pé de uma montanha encontrará uma cabana e nela um venerável monge que lhe dará algumas instruções..
Com seu bastão, sua cuia e um farnel com algum alimento, presente do Rimpoche reencetou sua marcha.
Li Pó caminhava já há dois dias cruzando vastas plantações de trigo, abrigando-se nas
casas dos camponeses.
Invariavelmente lhe vinha à memória o contato suave e perfumado do corpo de Mauri;
pensou em voltar e se entregar por completo ao amor da jovem; seu guru interferia: o amo
humano é passageiro e fonte de sofrimento, só o amor da Divina Mãe é eterno.
A partir do terceiro dia sua caminhada tornou-se mais difícil, a região era montanhosa. selvagem No quarto dia mais obstáculos, a mata fechada e apenas uma trilha. Sinais de animais selvagens lhe deixaram preocupado, o medo ameaçou-o, sentiu-se incapaz de continuar. Anoitecia; divisou mais além a choupana de que falara o Rimpoche apressou os passos, em pouco estava à porta.
_ Entre filho, estava lhe esperando.
_ Namastê, venerável!
_ Namastê, entre, sente-se.
O ermitão, em silêncio ofereceu-lhe chá e pão, enquanto o examinava. Satisfeito com o exame passou a lhe orientar. Continue seguindo em direção ao oriente, antes do anoitecer encontrará uma caverna, lá deverá permanecer em meditação até atingir o que busca. Passou a ensinar-lhe práticas de pranayama com as quais poderia dispensar alimentos, servindo-se apenas de prana (energia vital).
Cedo Li Po reiniciou sua caminhada, cada vez mais difícil. A montanha era muito alta e cheia de acidentes, mas conseguiu chegar antes de anoitecer apesar das serpentes e outros animais encontrados pelo caminho.
A caverna era ampla contava com algum conforto: cama de palhas, no chão um fogão também de pedras, lenha, mantas e cobertores, armário com mantimentos e outros itens indispensáveis à permanência prolongada.
Além das práticas de pranayama o ermitão deu-lhe uma série de exercícios de Hata Yoga e temas para meditação que deveram ser executados quatro vezes ao dia.
Passaram-se cinco anos, Li Po já não era mais mesmo. Tinha se tornado mais robusto e desenvolvera uma série de qualidades paranormais.
Certo dia durante a alvorada enquanto contemplava o sol que vinha raiando por trás dos montes, sentiu no corpo uma energia (kundalini) partindo da base de sua espinha dorsal, despertando o chacra (centro oculto de vida e consciência) ali colocado e elevando-se até o alto da cabeça, despertando os demais chacras ao longo da coluna.
Ao atingir o alto da cabeça Li Po sentiu. naquele instante a consciência de sua unidade com Deus, um estado de eterna bem-aventurança, o Reino da Paz Celestial.
Regressando à caverna, em estado de êxtase, encontrou seu guru que tantas vezes, invisível, lhe acompanhara os passos, orientando-o e protegendo-o nas dificuldades. Reverenciaram-se. O guru batizou-o com o nome de Sri Swami Satyananda..
CAPÍTULO TERCEIRO
Da mesma forma que surgiu no eremitério o guru desapareceu.
O novo Swami desceu a montanha e foi ter com o monge da choupana, agradecer-lhe a ajuda prestada durante aqueles anos.
Visitou também ao Rimpoche em agradecimento a hospedagem, soube por ele que Mauri tinha sito afastada do templo por não se ajustar às suas regras disciplinares e que agora se encontrava casada e com filhos. Atualmente ajudava o templo regularmente em trabalhos sociais e ajuda financeira. Encontrara na vida familiar seu caminho para salvação.
Trasladou-se para seu mosteiro de origem onde foi recebido festivamente.
No dia seguinte Sri Siddhananda convidou-o a uma reunião e deu-lhe uma nova missão: percorrer os paises do Ocidente divulgando os milenares ensinamentos daqueles grandes mestres do passado que alcançaram como eles próprios a mais alta realização espiritual possível ao ser humano.
O agora Sri. Swami Satyananada, permaneceu em silêncio, avaliando os prós e contras de sua nova missão. Via passar em sua visão interior, guerras, conflitos, fome., miséria em toda parte, o que fazer? Como divulgar ensinamentos tão preciosos no meio de tanta confusão, corrupção, degeneração dos costumes, perversão sexual e praticamente total alheamento dos princípios morais e espirituais por parte de grande parte dos povos daquela região?
Viu também, em contrapartida a existência de grupos bem intecionados lutando em desvantagem contra aquela situação.
Animou-se, trataria de ajudar aqueles grupos em suas lutas. Aqueles grupos seriam, certamente aliados valiosos.
Durante muitos anos Satyananda visitou vários países do ocidente, ajudando os grupos de ajuda humanitária ali formados, criando núcleos de estudos superiores de espiritualidade e escolas de todos os níveis..
Seus poderes extraordinários foram utilizados na doutrinação de inúmeros governantes e políticos, transformando-os em cidadãos de bem.
Reuniu-se, certo dia, num aposento em que costumava meditar com um grupo de discípulos mais íntimos e informou-lhes de que havia chegado a hora de deixar seu corpo físico e voltar ao oceano da Consciência Divina.
Dirigiram-se a seu pequeno templo particular. Swami postou-se em lótus diante do altar de seus paramgurus (gurus de um guru); os discípulos postados em semi-círculo passaram, mentalmente, à recitação de um sutra específico para a ocasião.
Sri Swami Satyananda procedeu a certa prática secreta de pranayama e deixou seu corpo físico com o qual por mais de cinqüenta anos, por onde atuou, deixou um rastro de
AMOR E LUZ
EDUARDO
CAPÍTULO PRIMEIRO
Era grande a azáfama naquele mosteiro dedicado á Divina Mãe. Monges e discípulos se movimentavam, cada qual se dedicando a seus afazeres.
O Sol havia hà pouco despertado de seu letargo.
Aproxima-se um cidadão de aparência chinesa puxando um garotinho pela mão. Entrega-o a um dos monges que veio recebê-los, dá as costas e vai embora. O garotinho chora, pede inutilmente para o pai voltar
Esta não é um cena incomum. Muito dos monges daquele mosteiro tiveram esse tipo de origem. Os pais pobres, em geral, já com muitos filhos entrega-os a um mosteiro.
Li Po foi recebido e passou a fazer parte das atividades do mosteiro com vários outros. Apesar de muito franzino e desnutrido era muito vivaz; aprendia rapidamente as lições e práticas espirituais que lhe indicavam. Aos poucos foi melhorando sua aparência e em pouco tempo já era um garoto forte e robusto. Sua dedicação era impar tanto nos trabalhos comuns como nos estudos e rituais do templo.
Festa no mosteiro, Li Po completara a idade adequada para ir em busca do Reino da Paz Celestial, como ali no mosteiro definiam a conquista da Consciência da Unidade com o Supremo Criador..
Um oráculo indicava se o discípulo tinha potencial para tal.
No auge da celebração, o Guru Sri Swami Siddhananda chamou Li Po e informou-lhe que deveria sair em busca daquele ideal maior.
Abalado ante a expectativa de deixar a vida despreocupada do mosteiro o rapaz nada disse, reverenciou o superior e foi se juntar aos demais. Sua mente, entretanto estava em efevercência, não se julgava capaz para tanto e nem queria enfrentar o desconhecido.
No dia seguinte procurou o Guru e informou-o que não tinha condições psicológicas e espirituais para a tarefa.
Bondosamente o guru pôs a mão sobre sua cabeça e o discípulo viu passar em na visão interior sua vida passada em que tinha sido um devoto especial da Mãe Divina e em seguida projetou seu futuro como um ser, dotado de grande sabedoria e poderes extraordinários após sua busca.
A noite, ainda sob o impacto daquelas visões Li Po decidiu partir.
Pela manhã iniciou sua peregrinação em busca do Reino da Paz Celestial, levando consigo apenas as roupas do corpo, bastão e a tigela de mendicante.
Dormia sob as árvores do caminho se não encontrava alguma alma piedosa que lhe desse abrigo.
A lua cheia já surgira várias vezes, quando certo dia à distância viu um castelo no alto de um morro. Mais animado ante a perspectiva de logo alcançá-lo seguiu por um caminho de pedras ladeado por centenárias árvores. Uma bica encravada num rochedo deixava cair um filete de água cristalina., aproximou-se e com as mãos em concha bebeu um pouco. Lavou-se ligeiramente e as roupas e por fim deitou-se à sombra das árvores para descansar enquanto as vestes enxugavam ao sol.
Já tardinha acordou; o cansaço o vencera e dormira mais que o desejado. Vestiu rapidamente as roupas enxutas e seguiu às pressas para o castelo onde chegou esbaforido às suas portas que se abriram misteriosamente.
LI Po foi recebido por uma jovem morena, esguia, de cabelos e olhos negros que em silêncio pediu-lhe para segui-la. Questionada informou-o chamar-se Jade, mas continuou em silêncio.
Foi levado por extenso corredor a enorme aposento, em outro ao lado um "ofurô" o esperava convidativo. Jade orientou-o para após o banho vestir novas roupas e se preparar para o jantar que logo lhe seria servido..
Encantado, tirou as vestes e jogou-as num cesto, entrando em seguida na piscina quente. Ficou alguns minutos gozando daquele banho. Saiu, enxugou-se e vestiu as novas roupas encontradas num armário.
Leve batida à porta; Jade e algumas serviçais entraram com bandejas, trazendo deliciosas iguarias, colocando-as delicadamente numa mesa baixa.. As serviçais saíram.
Jade tocou uma sineta e logo entrou um grupo de moças que ao som de uma música invisível iniciaram uma dança de extrema beleza.
Compunha-se o jantar de arroz e uma mistura de delicioso sabor que ele jamais havia provado. Acompanhava-o uma jarra de chá, também desconhecido.
A fome era tanta que não lhe permitia questionar, além de que, sua condição de mendicante nada lhe permitia recusar. O ensinamento era taxativo: qualquer alimento recebido não é matéria mas a manifestação do amor dos doadores.
_ Se desejar ler ou orar antes de dormir, há um pequeno oratório ao lado e livros na mesa de cabeceira. Às 4,30 horas tocará um sino, convidando às orações, informou a jovem, retirando-se.
Li Pó escolheu um livro e começou a folheá-lo, absorvendo-se na leitura.
Música de suavíssimos acordes invadiu o ambiente, inebriando o discípulo de felicidade . O sino tocou mais uma vez. Era hora de encerrar as atividades do dia. Li Po pôs o livro sobre a mesinha , dirigiu-se ao oratório para suas preces; uma hora de meditação, leitura de sutras, recitação de mantras e foi dormir, agradecendo mais uma vez à Divina Mãe por lhe proporcionar tamanha felicidade.
O sino tocou pontualmente. Li Po levantou-se. fez sua higiene pessoal; procurou no armário uma veste adequada, enfiou os pés num chinelo novo e preparou-se para sair.
Mais um leve toque na porta; Jade veio buscá-lo .
O templo era majestoso. Ao oriente, um altar composto por três mesas em diferentes níveis de altura, sobre elas oferendas:: flores, frutas, incensos,velas. Acima do altar uma estátua de ouro da Mãe Divina.
Li Po foi colocado numa almofada, onde sentou-se em postura de lótus em meio a uma centena de outros discípulos. Estava mudo, encantado com tanta beleza.
Nas paredes laterais, afrescos contando episódios da vida do Bhagavan Sri Krishna; no teto os diversos mistérios da vida e da morte. Li Po estava boquiaberto, extasiado.
Três leves batidas de um gongo; abrem-se as cortinas da entrada do templo deixando passar um cortejo de anciões que em passos solenes dirigiram-se ao altar. Música celestial acompanha seus passos. Os discípulos, antes acomodados, levantaram-se e curvaram-se à sua passagem
Diante do altar cada componente do cortejo fez as reverências rituais e dirigiu-se para um lado; todos posicionados fizeram novas reverências e sentaram-se.
Um oficiante dirigiu-se à frente do altar fez novas reverências e iniciou o cerimonial e por fim a recitação de mantras acompanhado por todos em voz alta.
Terminada a cerimônia dirigiram-se ao refeitório. O desjejum era um mingau de cereais, pão e chá. Durante a refeição um discípulo lia em voz alta um sutra no qual se afirmava: a vacuidade da matéria.
Ao término um instrutor orientou Li Po sobre as regras e os trabalhos do templo, convidando-o a acompanhá-lo, o que fez alegremente, pois estava muito feliz por ter encontrado afinal o Reino da Paz Celestial que tanto buscava. Agora já não havia mais necessidade de busca, tinha realizado seu ideal.
Entregou-se toda aquela manhã aos trabalhos que lhes foram indicados, em companhia de outros discípulos. Apenas o ruído dos instrumentos cavoucando a terra ouvia-se naquela área de trabalho.
Almoçou, descansou um pouco e voltou ao trabalho. No fim do dia, banho, jantar, oração até às vinte e duas e horas e por fim um sono reparador. Estava um tanto cansado é certo, mas feliz. Acabaram-se seus cuidados.
Assim se passaram trinta dias. entre trabalho, estudos e meditação em companhia dos monges que lhes proporcionaram profundo aprendizado, entremeado com audições musicais e espetáculos teatrais e de danças, tudo com profundo significado filosófico ou religioso
Li Po após suas orações deitou-se, dormiu e sonhou com deuses e anjos, gozando as delícias do paraíso que havia encontrado. Acordou à hora do costume e ficou aguardando deitado a chamada do sino.
O sol já ia bem alto quando resolveu se levantar; assustado; olhou para um lado, para outro, nada viu além da campina verdejante . O castelo havia sumido como por encanto.
Por entre a relva da campina, apenas uma estreita trilha indicava o caminho a seguir.
CAPÍTULO SEGUNDO
Sentou-se em postura de lótus, olhou a campina estendida a perder de vista. Orou pedindo ânimo para continuar .
Minutos após sentindo-se revigorado reiniciou a marcha. A noite já se avizinhava, um povoado surgiu à distância: casas, estabelecimentos , ruas limpas, iluminação. Seguiu desejando encontrar onde passar a noite.
No fim da rua uma praça, uma fonte e um templo. Aproximou-se da fonte desejando lavar-se.
O vigilante ao vê-lo se aproximando com visível intenção de se lavar tratou de impedi-lo; ao chegar mais perto viu que não se tratava de um mendigo, mas de monge mendicante, ser respeitado e venerado na região. Encaminhou-o ao templo entregando-o a um monge .
-Namastê, meu irmão..
_Namastê, venerável. Pode me dar abrigo por esta noite?
_ Certamente meu irmão, venha, vou apresentá-lo ao nosso Rimpoche, o monge Saddhananda
Feita a apresentação retirou-se, deixando-os a sós.
Li Po passou a relatar sua missão e os eventos do caminho
Monge mendicante na cidade era motivo de festas. Li Po foi convidado a permanecer na cidade. O Rimpoche já idoso buscava substituto. Li Po declinou do convite; não estava preparado, não encontrara ainda o Reino, mas concordara em passar alguns dias ajudando e incentivando os jovens.
O Rimpoche tocou uma sineta; uma jovem veio atendê-lo..
_ Mauri, este jovem monge vai passar alguns dias conosco, acomode-o adequadamente.
A jovem acomodou-o num aposento bastante amplo e confortável.
_ No fim do corredor tem uma sala de banhos, informou a jovem. No armário tem novos trajes. Quando estiver pronto toque a sineta que está sobre a mesa. Dito isso saiu, deixando Li Po pensando se não seria uma outra visão como aquela do castelo.
_Bem, agora vamos jantar, convidou-o ao atender a sineta..
Limpo e com roupa nova Li Po agradecido acompanhou-a ao refeitório.
Um sino anunciou a hora dos trabalhos noturnos do templo..
Residentes já se encontravam acomodados. Li Pó ocupou um lugar e passou a meditar. Horas de meditação, leitura de sutras e recitação de mantras.
No quarto Li Po acomodou-se confortavelmente, com cama e mantas limpas, coisas raras para ele Fez suas orações usuais e dormiu.
Na noite do terceiro Li Pó, em seu quarto, concentrado em sua oração sentiu mãos suaves, perfumadas afagando-lhe o rosto e um corpo macio, quente, contra suas costas Assustado, levantou-se e se deparou com Mauri, despida dizendo-se apaixonada, implorava por seu amor; expulsou-a do quarto.
Não pôde continuar sua meditação, tampouco conseguiu dormir. O corpo reagia de forma estranha aos pensamentos que vagavam num turbilhão incessante.
O sino tocou chamando para os trabalhos matutinos.
Anoiteceu, o visitante entregou-se a prática da Hata Yoga, queria apagar o fogo ateado por Mauri, a jovem discípula com uma pele azeitonada, olhos e cabelos negros, o corpo com contornos bem acentuados, era uma mulher muito bonita.
Uma hora de exercício, deitou-se para dormir. Pela madrugada Mauri, inconformada com a recusa de Li Po fez mais uma tentativa.. Chegou de mansinho e deitou-se a seu lado. O desejo explodiu irresistível. Li Po virou-se e se viu fortemente abraçado pela jovem, seu corpo vibrava, todo seu ser ansiava pelo desconhecido.
Uma visão fortuita de seu guru alertou-o do perigo, levantou-se violentamente e mais uma vez pôs a jovem fora o quarto
_Venerável, devo continuar meu caminho, muito obrigado por sua generosidade, mas devo partir.
_ Lamento, gostaria que permanecesse aqui conosco, mas se tem de ir vá com minhas bênçãos.
Ao colocar a mão sobre a cabeça do discípulo para abençoa-lo o superior viu em sua visão interior a cena na qual Mauri tentara inutilmente desviá-lo do caminho. Compreendeu a decisão do rapaz e deu-lhe sua bênção, louvando-lhe a vitória contra a tentação.
_ Meu filho, siga sempre em direção ao oriente em alguns dias ao pé de uma montanha encontrará uma cabana e nela um venerável monge que lhe dará algumas instruções..
Com seu bastão, sua cuia e um farnel com algum alimento, presente do Rimpoche reencetou sua marcha.
Li Pó caminhava já há dois dias cruzando vastas plantações de trigo, abrigando-se nas
casas dos camponeses.
Invariavelmente lhe vinha à memória o contato suave e perfumado do corpo de Mauri;
pensou em voltar e se entregar por completo ao amor da jovem; seu guru interferia: o amo
humano é passageiro e fonte de sofrimento, só o amor da Divina Mãe é eterno.
A partir do terceiro dia sua caminhada tornou-se mais difícil, a região era montanhosa. selvagem No quarto dia mais obstáculos, a mata fechada e apenas uma trilha. Sinais de animais selvagens lhe deixaram preocupado, o medo ameaçou-o, sentiu-se incapaz de continuar. Anoitecia; divisou mais além a choupana de que falara o Rimpoche apressou os passos, em pouco estava à porta.
_ Entre filho, estava lhe esperando.
_ Namastê, venerável!
_ Namastê, entre, sente-se.
O ermitão, em silêncio ofereceu-lhe chá e pão, enquanto o examinava. Satisfeito com o exame passou a lhe orientar. Continue seguindo em direção ao oriente, antes do anoitecer encontrará uma caverna, lá deverá permanecer em meditação até atingir o que busca. Passou a ensinar-lhe práticas de pranayama com as quais poderia dispensar alimentos, servindo-se apenas de prana (energia vital).
Cedo Li Po reiniciou sua caminhada, cada vez mais difícil. A montanha era muito alta e cheia de acidentes, mas conseguiu chegar antes de anoitecer apesar das serpentes e outros animais encontrados pelo caminho.
A caverna era ampla contava com algum conforto: cama de palhas, no chão um fogão também de pedras, lenha, mantas e cobertores, armário com mantimentos e outros itens indispensáveis à permanência prolongada.
Além das práticas de pranayama o ermitão deu-lhe uma série de exercícios de Hata Yoga e temas para meditação que deveram ser executados quatro vezes ao dia.
Passaram-se cinco anos, Li Po já não era mais mesmo. Tinha se tornado mais robusto e desenvolvera uma série de qualidades paranormais.
Certo dia durante a alvorada enquanto contemplava o sol que vinha raiando por trás dos montes, sentiu no corpo uma energia (kundalini) partindo da base de sua espinha dorsal, despertando o chacra (centro oculto de vida e consciência) ali colocado e elevando-se até o alto da cabeça, despertando os demais chacras ao longo da coluna.
Ao atingir o alto da cabeça Li Po sentiu. naquele instante a consciência de sua unidade com Deus, um estado de eterna bem-aventurança, o Reino da Paz Celestial.
Regressando à caverna, em estado de êxtase, encontrou seu guru que tantas vezes, invisível, lhe acompanhara os passos, orientando-o e protegendo-o nas dificuldades. Reverenciaram-se. O guru batizou-o com o nome de Sri Swami Satyananda..
CAPÍTULO TERCEIRO
Da mesma forma que surgiu no eremitério o guru desapareceu.
O novo Swami desceu a montanha e foi ter com o monge da choupana, agradecer-lhe a ajuda prestada durante aqueles anos.
Visitou também ao Rimpoche em agradecimento a hospedagem, soube por ele que Mauri tinha sito afastada do templo por não se ajustar às suas regras disciplinares e que agora se encontrava casada e com filhos. Atualmente ajudava o templo regularmente em trabalhos sociais e ajuda financeira. Encontrara na vida familiar seu caminho para salvação.
Trasladou-se para seu mosteiro de origem onde foi recebido festivamente.
No dia seguinte Sri Siddhananda convidou-o a uma reunião e deu-lhe uma nova missão: percorrer os paises do Ocidente divulgando os milenares ensinamentos daqueles grandes mestres do passado que alcançaram como eles próprios a mais alta realização espiritual possível ao ser humano.
O agora Sri. Swami Satyananada, permaneceu em silêncio, avaliando os prós e contras de sua nova missão. Via passar em sua visão interior, guerras, conflitos, fome., miséria em toda parte, o que fazer? Como divulgar ensinamentos tão preciosos no meio de tanta confusão, corrupção, degeneração dos costumes, perversão sexual e praticamente total alheamento dos princípios morais e espirituais por parte de grande parte dos povos daquela região?
Viu também, em contrapartida a existência de grupos bem intecionados lutando em desvantagem contra aquela situação.
Animou-se, trataria de ajudar aqueles grupos em suas lutas. Aqueles grupos seriam, certamente aliados valiosos.
Durante muitos anos Satyananda visitou vários países do ocidente, ajudando os grupos de ajuda humanitária ali formados, criando núcleos de estudos superiores de espiritualidade e escolas de todos os níveis..
Seus poderes extraordinários foram utilizados na doutrinação de inúmeros governantes e políticos, transformando-os em cidadãos de bem.
Reuniu-se, certo dia, num aposento em que costumava meditar com um grupo de discípulos mais íntimos e informou-lhes de que havia chegado a hora de deixar seu corpo físico e voltar ao oceano da Consciência Divina.
Dirigiram-se a seu pequeno templo particular. Swami postou-se em lótus diante do altar de seus paramgurus (gurus de um guru); os discípulos postados em semi-círculo passaram, mentalmente, à recitação de um sutra específico para a ocasião.
Sri Swami Satyananda procedeu a certa prática secreta de pranayama e deixou seu corpo físico com o qual por mais de cinqüenta anos, por onde atuou, deixou um rastro de
AMOR E LUZ
EDUARDO
sábado, 24 de maio de 2008
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